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Sydney, N.S.W., Australia
Aos 12 anos de idade comecei como aprendiz com meu pai, na construção, reparação e afinação de Harmónios. Reparação e afinação de Pianos e Órgãos de Tubos. [instrumentos musicais] Aos 16 anos trabalhava por conta própria. Com 22 anos tinha a Carteira Profissional na especialidade de Rádio e Electrónica, que me permitiu trabalhar nos acordeões e órgãos electrónicos, amplificadores de som, e acumulei ao meu trabalho nos instrumentos, a manutenção do controlo electrónico das novas máquinas instaladas na “FACAR”, em Leça da Palmeira, Matosinhos. Aos 27 anos fui para a Holanda com uma bolsa de estudo onde me aperfeiçoei na Construção, Manutenção, Afinação e Restauro dos Órgãos Antigos ou Históricos. Trabalhei como Organeiro na Gulbenkian em Lisboa, de 1970 a 1974, e como Encarregado da Orquestra Gulbenkian, de 1974 a 1980. Em 1980 emigrei para trabalhar no restauro do "Sydney Town Hall Grand Organ". Em 1990 como "Mestre Organeiro" foi-me entregue, a conservação, manutenção e afinação daquele prestigioso Órgão, no qual trabalhei 31 anos, até me aposentar em 2011. com 72 anos de idade. Ver mais no meu CURRÍCULO.

Friday, December 4, 2015



PORTO, E O SEU SAUDOSO PALÁCIO DE CRISTAL








UMA HISTÓRIA INTERESSANTE SOBRE O FAMOSO E DESAPARECIDO ÓRGÃO DE TUBOS, E O MEU COMENTÁRIO.





História que passo a partilhar:

O saudoso maestro Manuel Ivo Cruz escreve, em O Tripeiro Série VII, Ano XIX, Nº. 9, o seguinte:

“Com 2750 tubos, o órgão do Palácio de Cristal era um instrumento imponente, na linha dos grandes órgãos românticos, ou sinfónicos, cuja invenção se deve ao organeiro francês Aristide Cavaillé-Coll (1811/1899) … Construído em 1862 em Londres por J. William Wolber e vendido para o Porto por sete contos de reis… Para acompanhar a montagem e propiciar a instrução necessária à sua eficiente utilização, deslocou-se ao Porto o já então célebre organista e compositor francês Charles-Marie Widor (Lion 1844 – Paris 1937), personalidade marcante da música europeia, embora hoje bastante esquecido.”
Na sessão inaugural deste órgão, Widor tocou uma peça musical por si composta propositadamente para esse concerto. Esta peça foi de novo executada em 1995 no concerto de inauguração do órgão romântico da Igreja da Lapa.
"Quando, em 1951 este órgão foi destruído, constou na cidade que os tubos teriam sido levados e “alguém” se teria aproveitado da venda dos metais. Porém a “história” já vem de anos atrás. Em Maio de 1935 a CMP pretendeu mandar reparar o órgão de tubos do Palácio de Cristal.

Em 16 de Julho foram abertas 6 propostas de casas portuguesas e estrangeiras, mas a obra não foi adjudicada. Em 1947, a pedido da CMP veio ao Porto o Engº. José Ramos Sampaio, sócio da firma João Sampaio, Lda., organeiros de Lisboa, para examinar o estado do referido órgão. Descreve a sua visita ao palácio da seguinte forma: 

“Fomos ao Palácio. Não nos queriam deixar entrar, sendo necessário para isso mostrar a carta em que a câmara me participava a aceitação das condições para eu fazer a dita vistoria. Logo atrás de mim veio um outro guarda que disse depois que tinha ouvido a conversa e vinha para auxiliar em qualquer coisa. 
Depois de pôr uma escada de madeira, restos de um escadote improvisado e termos subido para o estrado do órgão, despimos os casacos e vestimos os fatos de macaco (eu e o Mário). Entrámos lá dentro levando eu a pasta com os apontamentos. Fiquei espantado quando vi que tinham desaparecido todos os tubos. 
O Mário só encontrou um minúsculo, fino como uma metade de um lápis e que estava caído e quase não se via, por isso escapou. Não havia mais. Nos secretos todos (excepto nos dos Pedais) não havia um tubo de madeira no lugar. Tinham sido todos tirados do lugar para facilitar o roubo e estavam amontoados sobre os secretos. 
Nos secretos laterais da pedaleira tinham ficado no lugar os tubos grandes de madeira e os funis (só os funis) dos tubos de palheta (os pés de chumbo com as palhetas desapareceram). No secreto surdina (todo dentro de uma caixa expressiva) tinham tirado várias réguas expressivas para entrarem lá dentro e fazer a mesma devastação. 
Era horrível o aspecto daquilo. Restavam os tubos da fachada, receavam talvez que se vise a falta… o homem disse-me que aquilo estaria assim há muitos anos! Respondi que não pois eu mesmo lá estivera havia 12 anos e não faltavam senão poucos tubos. No outro dia visitei o director dos serviços culturais da câmara”
 Em O Tripeiro Série VI, Ano XII. 

COMENTÁRIO QUE EM 22 DE SETEMBRO DE 2015 FIZ NO FACEBOOK:

SOBRE O FAMOSO ÓRGÃO DESAPARECIDO:



Porque a minha memória começa a falhar, ou porque só agora tomei conhecimento, devido à minha ausência de Portugal há mais de 35 anos.
Conheci e trabalhei com o maestro, Manuel Ivo Crus quando na Orquestra Gulbenkian, na década de 70. Sendo apenas 3 anos mais velho do que eu, lamento a sua morte, e à família, embora tardiamente, apresento as minhas condolências.

Interessantíssima história sobre este desprotegido instrumento, que naquele tempo parece ter estado ao “cuidado” da Câmara do Porto. Ontem como Hoje, a incompetência e a “roubalheira” são assuntos que deveriam ser debatidos e dados a conhecer publicamente, para que se desperte o interesse pela Defesa do Património.

Em tempos passados, era um Departamento dos então “Monumentos Nacionais”, responsável pela conservação destes instrumentos, cuja incompetência era demonstrada. Presentemente, e de nome mudado, não se nota diferença para melhor.

Ouvi de meu pai, quando eu ainda criança, alguns comentários sobre este magnífico órgão de tubos, que no tempo da segunda guerra terá sido dizimado quando “alguém” descobriu que os seus tubos de uma liga de chumbo e estanho, eram bem pagos pelos sucateiros.
Mais tarde, quando da criminosa demolição do Palácio, um dos “cooperadores” se suicidou, mas muitos outros, creio que nunca foram julgados.

Sydney 22 de Setembro de 2015

Tuesday, February 24, 2015

SER “VELHO” OU SER IDOSO





SER “VELHO” OU SER IDOSO, palavras que a meu ver devem ser consideradas, até como desabafo. 




Com quase 77 anos, não me apraz ser considerado “velho”, embora idoso.
Considero-me fisicamente útil e mentalmente são, podendo ainda ajudar nos trabalhos de que outros de mim possam necessitar, e que eu os faço com conhecimento, e espírito de ajuda.

Se faço crítica àquilo que no meu parecer acho mal, é feita com sentido construtivo, procurando chamar à atenção do mal que por vezes se pratica, não estando isento, e portanto aceitando, quem com a mesma honesta convicção, me critique também.

“Velhos” são os farrapos, no ditado popular. Mesmo assim têm o seu valor pelas lembranças que nos trazem, e os continuamos a “guardar” com o carinho das recordações. As “velharias” sempre tiveram o seu valor, e quando se deitam fora, por vezes perdemos grandes “fortunas” sentimentais.

“Idosos” somos todos aqueles que vencemos uma morte precoce, e nos encontramos com plena consciência, dando provas que ainda poderemos ser úteis à sociedade, conquanto esta tente ignorar que ainda muito tem a aprender, com os conhecimentos e a experiência de vida daqueles que os antecederam.

São também aqueles que infelizmente perderam já as suas faculdades físicas e mentais, depois de terem servido e alimentado uma “Sociedade” que agora os quer rejeitar, depois de ter desfrutado de tudo aquilo que eles, (idosos), lhe deram à custa do seu trabalho e até de uma vida cheia de dificuldades e sacrifícios.

Um Governo ou uma Sociedade que não queira reconhecer o valor daqueles que os fizeram “nascer”, tratando-os injusta e indignamente até ao final dos seus dias, procurando de uma ou outra forma verem-se livres daqueles que lhe deram o Ser, pode considerar-se inapta para um Futuro duvidoso que os espera, o qual já vamos adivinhando e sentindo.

A propósito, devemos lembrar-nos das honras merecidas a Portugal, quando reconhecido pelos seus feitos nas Descobertas Marítimas, no Século XVI. Presentemente com a “evolução das Mentalidades, dos Tempos e da Política”, somos um País “Pobre e Desacreditado”!

Oxalá possamos ainda recuperar tudo o que até agora temos perdido, encontrando o caminho a que poderemos chamar de DIGNIDADE.


Sydney, 25 de Fevereiro de 2015

Friday, January 9, 2015

"QUEM CALA, CONSENTE".


QUEM NÃO SE SENTE, NÃO É FILHO DE BOA GENTE!






DIOCESE DE VILA REAL, “PROPRIEDADE PRIVADA”?        


Antes de mais, confesso-me Católico Praticante, mas…, com certas reservas. Assim o declarei e me fundamentei no meu perfil do Facebook.

Eu, como membro laico da Igreja Católica, à qual devo obediência e respeito, espero também ser compreendido e respeitado, embora possa já ter motivos de assim não ter acontecido.

Quando acho que devo ser esclarecido sobre qualquer decisão ou parecer da Igreja da qual faço parte, pois não sendo a Igreja  “propriedade exclusiva” de Padres, Bispos e Cardeais, mas de todos os seus fiéis, sinto-me no direito de ser atendido, pelos que tem a obrigação de dar atendimento a quem à Igreja recorre.

Isto tem a ver com a falta de cortesia e direito de resposta, a repetidos e-mails enviados ao Pároco da Sé de Vila Real, e ao Bispo daquela Diocese, desde Julho de 2014, num total de 9 e-mails!

No primeiro e-mail enviado em Julho 2014 ao Presidente da Fábrica da Igreja Paroquial da Sé, pessoa que depois vim a saber que se tratava do respectivo Pároco, eu pedia o esclarecimento sobre um ambíguo anúncio então publicado.
Só a este e-mail, de imediato recebi resposta, para exigir a “módica quantia de
€79.95”, que seria para satisfazer o meu pedido de esclarecimento, e não o fornecimento de outro qualquer “material” para me ser enviado!

Não “parecendo” haver justificação para tal pagamento, e depois de mais alguns e-mails sobre o mesmo assunto, estas entidades nunca se dignaram responder, nem tão-pouco acusar a recepção dos mesmos.

Poderei brevemente aqui dar a conhecer toda a matéria em causa, para apreciação pública.

COMO QUEM CALA CONSENTE, ser assim tratado por quem apregoa humildade e altruísmo, e pratica a indiferença e a arbitrariedade, exemplos tão contrários à religião que se dizem professar, não poderei deixar de aqui fazer este triste comentário, por considerar um atentado à minha dignidade humana, religiosa e cívica.

Se o próprio Santo Padre Francisco se queixa do dúbio procedimento desses “servidores”,…

Manuel da Costa

Sydney 9 de Janeiro de 2015 

Monday, December 29, 2014

E-mails com falta de resposta






À Diocese de Vila Real,                                                                            geral@diocese-vilareal.pt 
C/c  Pároco de Sé de Vila Real                                                                 paroquiadase@hotmail.com

Rev.mos Senhores, Bispo D. Amândio José Tomás, e Pároco da Sé


Tem este por finalidade demonstrar o meu descontentamento e indignação pela vossa inaceitável atitude, não respondendo aos e-mails até agora por mim enviados.

Porque não seriam anónimos nem insultuosos, mas pediam esclarecimentos ou informações, careciam de resposta, quer por cortesia ou por civismo. Assim seria de esperar de uma entidade que tem por obrigação ser exemplar, sociável e honesta para com quem a procura.

Infelizmente tal não acontece, o que é deplorável. Com atitudes como estas não só desacreditam a religião que pretendem professar, porquanto desprezam aquilo que procuram incutir, ou seja, Cristianismo, com Humildade e Dignidade.

Não é para mim desconhecida certas atitudes deste teor por parte de “alguns” padres e seus superiores eclesiásticos, durante os meus contactos ao longo dos muitos anos com aqueles que deveriam servir a Igreja, e não através dela serem servidos.
Devido à minha vida profissional, o mesmo não poderei dizer das Igrejas não católicas, no trato com os seus servidores, ministros ou representantes, por quem sempre fui apreciado e respeitado.


Como protesto contra quem não respeita a Dignidade do seu “Próximo”, e como anteriormente dei já a conhecer, tenciono muito em breve fazer público este meu descontentamento, e a falta de consideração não só para com quem tem servido profissionalmente e honestamente a Igreja, como para quem tem sido um dos seus fiéis seguidores.

Atentamente,
Manuel da Costa

Sydney, 29 de Dezembro de 2014

Wednesday, December 10, 2014

ORGANEIROS PORTUGUESES IGNORADOS NO SÉCULO XX

PROVAS DE EXIXTÊNCIA DE ORGANEIROS NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX. TODOS OS OUTROS FORAM INTENCIONALMENTE IGNORADOS.


Este registo foi encontrado durante o restauro dum órgão de tubos, e que foi dado a conhecer, por quem respeita a sua ética profissional.

Como este, terão sido encontrados mais durante “restauros” efectuados pelos “novos organeiros à lá minuta”, cuja presunção em quererem ser os primeiros organeiros portugueses do Século XX, para se fazerem acreditar terão escondido ou possivelmente destruído essas provas.


 "António Vieira e Miguel Gaspar da Costa, me reformaram e afinaram em Março de 1945, sendo moradores respectivamente na Rua da Boa Hora 120 B e Rua Duque de Saldanha ... Pôrto"


Havendo quem tivesse tido interesse em    informar publicando que não tinha havido organeiros portugueses desde 1900 até 198…, aqui vai a contradição, com uma Inscrição, como prova irrefutável.

Da mesma forma, mas “sem qualquer prova evidente” entre 1970 e 1980, também é "desconhecida a existência" de qualquer outro organeiro.

Depois de 1900, a arte de organaria em Portugal, "só recomeçou a evidenciar-se a partir de 198…" com a formação “à lá minuta” de dois génios e consagrados organeiros, tendo um deles sido galardoado por  Sua Exa. o Presidente da República!

Tuesday, December 9, 2014

O PORQUÊ DE COMENTAR OU CRITICAR...






                             O Órgão da Sé de Évora, o mais antigo em Portugal, 


O PORQUÊ DE COMENTAR OU CRITICAR SOBRE DUVIDOSOS OU PRETENSOS RESTAUROS DE ÓRGÃOS DE TUBOS, ANTIGOS OU HISTÓRICOS, PATRIMÓNIO 
NACIONAL DE PORTUGAL, NAS MÃOS DE QUEM NÃO OS RESPEITA




Quando faço comentários ou criticas sobre Órgãos de Tubos e ao que com eles se relaciona, é na convicção que poderei de certa maneira contribuir para a protecção e conservação dum Património em risco de profanação, ou da sua integridade, que se não for cuidado e defendido, se torna uma perda nacional.


Após 1980, com o oportunismo em progresso e a coberto das “amplas liberdades” então anunciadas, houve quem na sua ambição desmedida e oportunista, se aproveitasse para procurar ser aquilo que não era, mas queria ser. Sem possuir conhecimentos ou aptidão, procuraram conseguir determinados lugares ou posições, capazes de cobrirem outros interesses. 


Quero referir-me nesta crónica, se assim poderei chamar, à formação de “organeiros à lá minuta”, reconhecidos e a coberto de pretensos “consultores” não acreditados na arte da organaria.
Bons “falantes”, como sempre houveram, mas péssimos conhecedores da matéria, da qual predominam as teorias, ocas de prática. No entanto têm-se imiscuído e propagandeando-se em alguns presumíveis “restauros”, efectuados e a efectuar, comprometendo a originalidade desses Órgãos indefesos.



Quando um “consultor” não tem aptidão, conhecimentos práticos para poder rectificar ou tomar qualquer decisão honesta num trabalho de restauro, terá de confiar no executor. Não terá o mínimo de escrúpulo em se certificar se o “organeiro” possui competência ou habilitação comprovada no seu currículo, onde deve constar como fez a sua aprendizagem, o tempo e a prática em que exerceu como profissional, e a experiência que possa atestar a sua capacidade ou idoneidade, em trabalhos de Restauro.


Estes “Organeiros e Consultores”, conseguem assim de mãos dadas e em trabalho de equipa, fazer o que muito bem lhes possa apetecer, sem ter de dar contas a ninguém da qualidade e autenticidade do que deveria ser um Restauro genuíno, quando não passa de uma reconstrução ou reparação. Há ainda a agravante de muitas das vezes alterar irremediavelmente a sua originalidade, e portanto o seu Crédito Histórico.


Conquanto anteriormente a 1965 esta prática já existisse, estava limitada a carências de dinheiros para esse fim, o que até certo ponto evitou que se fizessem mais estragos, além daqueles que haviam sido feitos, com a comparticipação dos então Monumentos Nacionais, Departamento da Cultura.


Desses factos, os mais antigos, tive conhecimento pelos organeiros dessa época, António Vieira, Manoel Vaz Ferreira dos Reis, e meu pai, Miguel Gaspar da Costa, com quem comecei a minha aprendizagem. Dos casos mais recentes, fui tomando conhecimento através da informação que os próprios “novos organeiros” iam dando das suas “habilidades”.


Foi nos anos 60 do século passado, quando não havia ninguém com capacidade para o Restauro, e poucos até para a manutenção desses Órgãos Antigos e outros mais que ainda iam funcionando, foi quando a Fundação Calouste Gulbenkian através do seu Serviço de Música terá adquirido o Órgão de tubos encomendado na Holanda, para a Sé Catedral de Lisboa, devendo-se a iniciativa à então Directora, D. Maria Madalena Perdigão.


Começou também nessa altura uma nova época para o desenvolvimento de restauros dos órgãos que em Portugal estavam em precárias condições, tendo sido o primeiro e o mais antigo, o da Sé de Évora. Outros se sucederam como foi dado a conhecer, fazendo parte de um projecto estabelecido com a comparticipação da FCG, e que para dar continuidade, seria indispensável haver alguém especializado na arte de organaria, que além de se encarregar de futuros restauros a serem feitos no país, se encarregasse também da manutenção dos já restaurados e dos novos entretanto adquiridos ou a adquirir.


À falta de organeiros, a FCG enviou o então único em Lisboa, conhecido por Eng. Sampaio, para a fábrica Flentrop, quando o novo Órgão para a Sé de Lisboa foi ali construído. Este propósito não foi bem sucedido, por a sua experiência não satisfazer as qualidades ou talento necessário para ali continuar, não tendo sido recomendada a sua participação em projectos futuros.



Fui encontrado por quem conhecia o meu trabalho, relacionado com esses instrumentos ao longo de mais de uma década, e preferido pelos conhecimentos e prática que já possuía, demonstrados e apreciados na fábrica Flentrop quando lá dei provas para poder ser admitido como bolseiro da Gulbenkian. Em 1970, no final de 5 anos de formação em Organaria e Restauro, era em Portugal o único Organeiro especializado.
Em 1980, tive de sair do país por motivos já dados a conhecer.


A partir dessa data, passados 2 anos e aproveitando as “amplas liberdades” e oportunismos criados com o 25 de Abril, onde competências e honestidade deixaram de ser apreciadas, alguém completamente alheio ao que seria um órgão de tubos, mas porque por um curto espaço de tempo se tinha dedicado a afinar pianos nas horas vagas, conseguiu em “tempo recorde” de poucos meses, considerar-se Mestre organeiro, abrindo a sua própria oficina, e ter restaurado já o seu primeiro órgão.

O que escrevo, não é novidade, sendo do conhecimento de quem leu o que por ele foi escrito e publicado.

Interessante também, foi ter um pupilo que com ele começou a aprender, e que rapidamente lhe “passou as palhetas”, quando mais tarde toma conta de trabalhos que ao seu “mestre” não lhes foram confiados!


Imaginem alguém que vai aprender uma arte, com quem nunca teve escola ou formação profissional capaz em Organaria, e muito menos em Restauro, sem preparação ou idoneidade para ensinar, aceitar alguém que se considerava a ele mesmo, como também publicou, um autodidacta e habilidoso, ou um habilidoso autodidacta!

É assim que num espaço de tempo inconcebível, se formam Mestre e Pupilo, em “exímios” profissionais, reconhecidos pelo Estado e pela Igreja em Portugal, como “Mestres Organeiros”, com quem então começam a “negociar”, com ou sem o apoio de consultantes da mesma casta.


Possuo documentação comprovativa do que até aqui tenho escrito e dado a conhecer, que já despertou a “indisposição” de duas das figuras que se sentiram atingidas na sua “dignidade”, como se dela fossem possuidores. Esses, considero de “peixe miúdo”, e portanto fácil de manipular. Um deles teve no entanto “coragem” para ridiculamente tentar ameaçar-me, não porque eu o denunciasse mas por se ter sentido acusado!


Um outro, este já “graúdo”, que eu tenho na conta de ser mais responsável, dada a sua posição e influência no meio em questão, pessoa que eu conheço ou conheci bem, ou pelo menos julgava conhecer, com quem tentei abrir discussão sobre organeiros no passado e actuais, “escudou-se” não respondendo a uma carta que lhe enviei, onde lhe pedia para ser informado sobre “o seu desconhecimento” da existência de organeiros desde o início do século passado, que sempre foram ignorados, e os seus nomes ocultados, em tudo que foi escrito e publicado a esse respeito.



No meu ponto de vista, revela-se numa tendenciosa e acção suspicaz para ser beneficiado nos seus intentos.
Com outros dois, navegando no mesmo bote, as desculpas dadas não conseguiram responder ao que lhes foi perguntado.



Durante o meu tempo activo, ocupado com os deveres profissionais que para a Austrália me trouxeram para poder continuar a exercer a minha profissão especializada de Organeiro, uma vez que em Portugal não havia lugar para poder exercer cabal e honestamente essa especialidade, aqui trabalhando arduamente mas com total satisfação, no fabrico de novos órgãos e sobretudo no Restauro de muitos mais, não dispus de tempo nem de meios que hoje se encontram disponíveis, chamados de “Internet”, para ter a oportunidade de contestar o que no meu país, de mal se fazia e se faz, sobre o assunto em questão.


Dada agora à minha disponibilidade de tempo após me ter aposentado, e com as informações chegadas até mim nestes últimos anos, além de pesquisas feitas, não posso deixar de ignorar os interesses e falta de consciência envolvidos em alguns desses “restauros”, que se não houver alguém responsável e idóneo na arte de Restauro que tenha a dignidade e a coragem de denunciar essas “negociatas desonestas”, estaremos a contribuir para o descrédito do Património Nacional, onde os Históricos Órgãos de tubos estão integrados.


Para colher na origem informações mais fidedignas, sem ter obtido qualquer resultado por nunca receber resposta, comecei por contactar entidades do Estado e da Igreja, como proprietários e detentores desses referidos instrumentos que são Património Nacional, e não propriedade privada de uma elite que procura pôr e dispor, como de coisa sua ou propriedade pessoal se tratasse, não olhando a meios para alcançar fins.
O que encontrei, foi cumplicidade, a que cheguei de apelidar de “Segredo de Estado / Igreja” associando aos tão proclamados “Segredos de Justiça”.


Nem como Cidadão, que tendo deveres deve ter também direitos, nem como Católico que procura manter e confiar na sua convicção religiosa, poderá merecer tal falta de respeito e demonstrada prepotência.

Felizmente que vivendo geometricamente muito afastado desse foco de Corrupção que em Portugal se habituaram a viver, e mormente pelo sentido da dignidade que sempre defendi, me considero imune ao contágio desse esse "vírus".

Resta a esperança que possa haver uma nova concepção de Justiça, esta na verdadeira acepção da palavra e conceito, que possa destrinçar quem seja Honesto, daqueles desprezíveis que se aproveitam dum Estado ou Governo, como da Igreja, para viverem à custa de um Povo, que se sacrifica e que os está a “alimentar”.



Manuel da Costa
Sydney, 10 de Dezembro de 2014

Sunday, December 7, 2014







    ÓRGÃOS HISTÓRICOS DA SÉ CATEDRAL DO PORTO, E O QUE OS PODERÁ ESPERAR

    Os dois órgãos antigos que se encontram na Capela Mor da Sé Catedral do Porto, foi o meu último trabalho de Restauro feito na Holanda, sob a orientação da firma Flentrop, então contratada pela FCG, e onde durante 5 anos como bolseiro da mesma Fundação, me especializei na técnica de Restauro, depois de uma experiência ou com a prática profissional adquirida, ao longo de mais de uma dezena de anos, conforme já foi dada a conhecer.

    Esses órgãos foram por mim desmontados para a sua ida para Holanda e lá restaurados. No seu regresso foram também por mim montados, assim como fiz no local a total reconstrução do respectivo fole do órgão maior, e assistidos até 1974.

    Em 2013, numa das minhas idas de férias a Portugal, visitei esses instrumentos, que mostravam o desleixo e o abandono a que tinham sido sujeitos, por quem deles deveria ser responsável.
    Não irei aqui e agora descrever sobre o miserável estado destes instrumentos, vítimas da falta de cuidados desde que o Novo Órgão no coro alto começou a funcionar.

    Já em 1987, numa das minhas idas de férias, encontrei um dos órgãos, como já tive ocasião de ter dado a conhecer, com indícios de ter sido “profanado” por quem em 1984 lá colocou a sua “assinatura”, com uma placa localizada em lugar indevido, querendo dar a entender que por ele esse órgão teria sido restaurado! Isto cerca de 14 anos após o seu grande Restauro!

    Não é pois de estranhar que depois dos maus-tratos a que estariam sujeitos, devido ao desmazelo sofrido durante anos, que estes instrumentos careçam de ser redimidos. Porém, e oxalá, que qualquer intervenção necessária, não consista em mais outra profanação, por quem nunca teve reconhecida preparação e muito menos escola de “Restauro”, mas convencidamente se tivesse considerado a si mesmo, como um “autodidacta”, ou habilidoso.

    Esta minha crítica, refere-se apenas aos “restauros” que em Portugal têm sido feitos por curiosos ou supostos “organeiros”, e não à construção de novos instrumentos, nunca por mim conhecida ou apreciada, depois de 1980.

    Não pretendo que esta crítica possa ser também interpretada como “ataque” pessoal a quem se possa sentir atingido, conforme já fui acusado e “até ameaçado”, MAS PROCURANDO DEFENDER UM PATRIMÓNIO À MERCÊ DA INCOMPETÊNCIA E DO OPORTUNISMO, consentido por quem deveria ser integro e responsável, o que infelizmente parece não abundar no País, onde a corrupção cada vez está mais instituída.