About Me
- Manuel Maria Saraiva da Costa
- Sydney, N.S.W., Australia
- Aos 12 anos de idade comecei como aprendiz com meu pai, na construção, reparação e afinação de Harmónios. Reparação e afinação de Pianos e Órgãos de Tubos. [instrumentos musicais] Aos 16 anos trabalhava por conta própria. Com 22 anos tinha a Carteira Profissional na especialidade de Rádio e Electrónica, que me permitiu trabalhar nos acordeões e órgãos electrónicos, amplificadores de som, e acumulei ao meu trabalho nos instrumentos, a manutenção do controlo electrónico das novas máquinas instaladas na “FACAR”, em Leça da Palmeira, Matosinhos. Aos 27 anos fui para a Holanda com uma bolsa de estudo onde me aperfeiçoei na Construção, Manutenção, Afinação e Restauro dos Órgãos Antigos ou Históricos. Trabalhei como Organeiro na Gulbenkian em Lisboa, de 1970 a 1974, e como Encarregado da Orquestra Gulbenkian, de 1974 a 1980. Em 1980 emigrei para trabalhar no restauro do "Sydney Town Hall Grand Organ". Em 1990 como "Mestre Organeiro" foi-me entregue, a conservação, manutenção e afinação daquele prestigioso Órgão, no qual trabalhei 31 anos, até me aposentar em 2011. com 72 anos de idade. Ver mais no meu CURRÍCULO.
Monday, June 10, 2013
DIA DE PORTUGAL
HOJE, 10 DE JUNHO DIA DE PORTUGAL,
DIA DA RAÇA OU DIA DE CAMÕES,
Deixo aqui um comentário sobre a Nossa Língua:
Não a nossa língua carnal, mas a Nossa Língua idioma que a Camões lhe é atribuído.
Fala-se em política governamental, sobretudo dos Partidos, do Governo e da crise que lhe é imputada, provocando desemprego, baixas nos rendimentos e reformas, aumento de impostos e horas de trabalho, etc. De tudo isto se culpa os governantes, porque só a nós não pode a culpa ser atribuída.
Porém não é só o País que economicamente está em crise, por depender não só do “Interior como do Exterior”, consequências difíceis de resolver, mas particularmente aquilo que sendo nosso, dependendo só de nós, que ninguém nos pode tirar sem o nosso consentimento e atitude de preservação, que nos enriquece e nos enobrece, que é A LÍNGUA PORTUGUESA.
Com esta preciosidade que possuímos, que é de cada um e de todos nós, parece não haver grande preocupação na sua defesa, no seu uso, e no respeito que deve merecer, mesmo comparando com a Bandeira que representa uma Nação.
Infelizmente são muitos os portugueses que a ignoram, desrespeitam e atraiçoam, dando preferência ao estrangeirismo, aplicando palavras “finas” com predominância inglesas, quando deveriam estar empenhados na Fidelidade merecida à única coisa que os dignariam em possuir e serem orgulhosos.
Se com aquilo que só de nós pode depender não nos preocupamos, defendemos e dermos o exemplo de respeito, PORQUÊ exigimos dos outros o que não somos capazes de o fazer, e só de nós pode depender?
Sydney, 10 de Junho de 2013
Sunday, March 31, 2013
Biografia e Currículo
BIOGRAFIA & CURRÍCULO
MANUEL MARIA
SARAIVA DA COSTA, ORGANEIRO, nasceu em Portugal, na cidade do Porto, freguesia do
Bonfim, em Outubro de 1938.
Como aluno particular da Professora Aida Monteiro, em
piano, preparou-se para entrar no Conservatório onde completou as disciplinas
de Português, Solfejo, Composição, Acústica, História da Música, continuando
com Piano e Clarinete. Foi colega, entre outros, de Joaquim Simões da Hora.
Enquanto frequentou o Conservatório de Música do Porto,
trabalhou com o seu pai na fabricação, reparação e afinação de harmónios, desde
os 12 anos de idade. A sua primeira ocupação, foram as afinações e reparações
de pianos e órgãos de tubos.
Durante alguns anos, foi “organista” na Capela do
Convento do Ferro, também conhecida por Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio,
mais tarde Patronato e Centro Social da Sé. Ali tocava harmónio acompanhando um
coro de crianças, sob a direcção do então Coadjutor da Paróquia, Padre Manuel
Pinto de Sousa. Foi ainda “organista” na Sé Catedral do Porto e Igreja de Santa
Clara, quando nessa altura era Pároco o saudoso Padre Alcino de Azevedo. Tocou
órgão também em diversas igrejas.
Tendo seu pai falecido, aos 16 anos de idade teve de
deixar o Conservatório, e dedicar-se inteiramente ao trabalho em pianos,
harmónios e órgãos, que nessa época não era suficientemente remunerado. Olhando
para o futuro, dedicou-se também ao estudo da electrónica, e com 22 anos
possuía a Carteira Profissional, na especialidade de Rádio e Electrónica.
Veio a acumular, entretanto, ao seu trabalho regular, o
de manutenção do controlo electrónico das novas máquinas da FACAR em Leça
da Palmeira - Matosinhos, que era na
época, a maior fábrica de tubos galvanizados e plásticos não só do país mas da
Península Ibérica.
Em acumulação, dedicou-se à reparação de órgãos e outros
instrumentos musicais electrónicos, em particular, para a Biblioteca Musical do
Porto.
* *
* * * *
Sob a direcção da então Directora do Serviço de Música da
Fundação Calouste Gulbenkian, Dra. Maria Madalena Perdigão, foi programado o
restauro dos órgãos históricos de Portugal, tendo como consultante o Dr. M. A.
Vente, de Utrecht - Holanda.
Os instrumentos depois de desmontados em Portugal, eram transportados
para Holanda para restauro. Tal prática, entretanto, por iniciativa da Dra.
Maria Madalena Perdigão foi reavaliada e os restauros em causa deixariam de ser
realizados no estrangeiro, logo que para isso houvesse alguém habilitado em
Portugal.
É na concretização deste projecto que é concedida ao
signatário uma Bolsa de Estudo por cinco anos a quem tivesse uma preparação
base que oferecesse garantia de um resultado fiável. As condições impostas e
prometidas eram, no final da Bolsa, o organeiro / bolseiro ser integrado na
Fundação, ou montar a sua própria empresa, para dar seguimento a esse projecto.
Além dos Órgãos restaurados e a restaurar, haviam também
os novos órgãos adquiridos e a adquirir pela própria Fundação, ou com a sua
comparticipação.
Em 1965 essa Bolsa foi concedida a Manuel Maria Saraiva
da Costa, então com 27 anos de idade, para seu aperfeiçoamento na técnica de
Organaria. Isto é, na construção, reparação, manutenção, afinação, intonação, e
principalmente no restauro de Órgãos de Tubos antigos ou históricos em
Portugal.
O período de 1966 a 1970, foi o de aperfeiçoamento
profissional numa fábrica de Órgãos de reputação internacional Flentrop
Orgelbouw, em Zaandam - Holanda, onde ganhou bastante experiência em
todas as áreas dessa arte ou indústria, estando incluído trabalhos em madeira,
metal, fabrico de tubos para órgãos, consolas mecânicas, montagem de órgãos,
sonoridade e afinação. Além de órgãos de acção mecânica, também os de acção
pneumática e eléctrica.
Durante esse período na Holanda, esteve envolvido na
construção e montagem do Grande Órgão na Sala de Concertos "De
Doelen" em Rotterdam - Holanda, um dos maiores órgãos de tubos,
fabricado na fábrica Flentrop. Teve parte importante na construção do
órgão que se encontra no palco do Grande
Auditório da Gulbenkian, que por ele foi instalado num elevador, e é
recolhido no sub-palco, vindo à superfície quando necessário para concertos e
acompanhamento de orquestra e coro.
Fez também trabalho de restauro em órgãos históricos
holandeses, com relevância o de Oosthuizen (1521) e outros. Em órgãos
portugueses, nomeadamente com particular relevo o da Sé Catedral de Évora (1562),
e em dois órgãos da Sé Catedral do Porto (séculos XVII e XIX).
* *
* * *
*
Em 1970, depois de concluída a sua especialização,
ingressou na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa, como funcionário do
Serviço de Música, acumulando as funções de Organeiro e Encarregado da Orquestra
Gulbenkian.
Como Organeiro, trabalhou no restauro do Órgão da Capela
da Universidade de Coimbra, e no Órgão da Sé Catedral de Faro, bem como na
manutenção e afinação de todos os órgãos novos e restaurados, até ao período da
Revolução em Portugal de 25 de Abril de 1974.
Por conta própria fez, entretanto, outros trabalhos de
manutenção e afinação em Lisboa, Mafra, Fátima, Viseu e Porto. Durante essa
ocasião, entre outros organistas conheceu Antoine Sibertin-Blanc, organista
titular da Sé de Lisboa, e Gertrud Mersiovsky,
professora de órgão no Conservatório Nacional em Lisboa, e actualmente a
residir no Brasil.
Em Maio de 1974, após terminados os trabalhos no órgão da
Sé de Faro, estava encarregado da desmontagem de dois dos seis órgãos do
Convento de Mafra, que por motivo da situação seguida à revolução, esse
trabalho assim como todos os trabalhos de restauro previamente programados pela
Gulbenkian, foram cancelados.
A sua função de organeiro na Fundação ficou suspensa por deliberação
de “uma Comissão de Trabalhadores” e o consentimento da Administração, com o
argumento de que não poderia exercer duas funções: a de Organeiro, e a de
Encarregado da Orquestra!
Desde 1974 a 1980, passou a exercer unicamente e a tempo
inteiro a função de Encarregado da Orquestra, que o levou a viajar com ela de
Norte a Sul do país, Madeira, Açores, Angola, Moçambique e outros países de
África, Europa e União Soviética.
Em 1979, já sem esperanças de poder continuar a trabalhar
na sua profissão de Organeiro, por deixar de haver subsídios para a continuação
do referido projecto, sentindo-se enganado e frustrado, decidiu deixar a
Fundação oferecendo o seu trabalho a outro país que o quisesse receber,
aproveitando os seus conhecimentos e experiência profissional, tendo a sua
oferta sido aceite de imediato pela Austrália.
* * *
* * *
Em 1980, com uma licença sem
vencimento, recomeçou o seu trabalho profissional de organeiro no restauro do
“Sydney Town Hall Grand Organ”, convidado por Roger H. Pogson, uma firma
australiana conceituada na construção de Órgãos de Tubos, que foi responsável
por este grande restauro.
Este restauro viria a terminar
dois anos depois, e Manuel da Costa estaria disposto a regressar à Gulbenkian
para continuar ali o seu trabalho como Organeiro, caso esta estivesse
interessada.
Antes de terminar a licença que lhe havia sido concedida,
pediu à Fundação a prorrogação da mesma licença por mais um ano, a fim de
recuperar na Austrália todo o tempo que em Portugal teria perdido, entre 1974 e
1980. O seu pedido foi recusado, e de seguida a mesma Fundação dá outra Bolsa
de Estudo, esta por um ano, para “formar e especializar um novo organeiro”!
Manuel da Costa trabalhou
nesta firma durante 6 anos, e mais 4 anos para outra firma, Pitcheford & Garside, na reconstrução e
restauro de reconhecida qualidade nos órgãos históricos de:
* Saint
Paul's Lutheran Church, Sydney - 1887,
E. F. Walcker & Co. ( Germany )
*
All Saints Church, Woollahra, Sydney - 1882, Forster
& Andrews (Hull,UK9 )
*
All Saints Church, Ainslie, Canberra, ACT - 1857, Bishop
& Starr (London, UK)
* Holy Trinity Church, Kingsford, Sydney - c.1875, Gray
& Davidson (London UK)
Esteve também envolvido em Sydney, no restauro e montagem
dos órgãos da Capela e Cinema, no novo edifício da Wesley Mission na Pitt
Street, na manutenção e afinação dos órgãos da Catedral Anglicana de Saint
Andrew's e Universidade de Sydney, além de outros em New South Wales,
Canberra e Melbourne.
* *
* * *
*
Em 1990, começou a trabalhar por sua conta, quando teve o
privilégio de lhe ser oferecida pela Câmara de Sydney, a posição de Organeiro
responsável pela conservação, manutenção e afinação do Grande Órgão do Town
Hall de Sydney, que quando foi construído em Inglaterra nos anos 1888/1890, era
considerado o maior do mundo. Actualmente, e no seu género, é o maior do
Hemisfério Sul, conhecido e apreciado mundialmente.
A ocupação desse lugar de relevo,
que lhe deu nome e prestígio internacionalmente, viria a ser
invejado por alguns colegas organeiros australianos.
Teve a seu cargo também a
manutenção e afinação de órgãos em igrejas, tanto
Católicas como Anglicanas, Presbyterianas, Uniting e
Luterana. Escolas como: Knox Grammar School,
Abbotsleigh Girls School, King's
School, Sydney Grammar School, Canberra Church
of England Girls' Grammar School, Saint Paul's College na
Universidade de Sydney, Newington College, Powerhouse Museum,
e Newcastle Conservatorium.
Foi também convidado a tomar conta da manutenção do órgão da Opera House, tendo-se recusado por uma questão de ética profissional.
Foi também convidado a tomar conta da manutenção do órgão da Opera House, tendo-se recusado por uma questão de ética profissional.
Fez afinações para concertos e gravação
de discos, para a ABC Clássic FM. Australia Broadcasting
Corporation, e para outras entidades como: Sydney Philharmonia
Choirs, Sydney Symphony Orchestra, Sydney Chamber
Choir. Cantillation, Musica Viva e outras, na Opera
House, City Recital Hall e outros locais.
Em 2000, foi-lhe entregue a manutenção e afinação do Novo
Órgão na St. Mary's Cathedral, Sydney, pois já ali fazia a manutenção do Órgão
da Capela-Mor, e em 2004, outro Novo Órgão na Sydney Grammar School.
Por motivo de compromissos de ordem familiar, em Setembro
de 2002, reduziu o seu tempo laboral para 3 dias semanais, recusando novas
ofertas de trabalho, com excepção da Sydney Grammar, que era já seu cliente.
O seu último trabalho de restauro, em 2007, foi o de:
* St. John’s Anglican Church, Camden, NSW – 1861, T.P. Bates, (London, UK)
Durante todo o tempo em que trabalhou por conta própria,
independente ou autónomo, sem nunca ter necessidade de publicidade e de mais
trabalho, uma vez que a sua reputação era já conhecida e apreciada. Nunca se
quis associar a qualquer organização nacional ou internacional de organaria.
Tentando encontrar alguém apto e interessado em fazer um
estágio na Austrália, prevendo a possibilidade de se preparar para o suceder na
manutenção do “Grand Organ”, em Março de 2008 escreve por e-mail a diversas
entidades em Portugal, sem que tivesse obtido qualquer resposta.
Em Fevereiro de 2011, decidiu aposentar-se com 72 anos de
idade, renunciando à sua carreira de organeiro, e de responsável pelo “Grand
Organ of Sydney Town Hall” durante os últimos 21 anos, estando em causa uma
proposta desonesta da Câmara de Sydney, na qual não se deixou manipular por se
encontrar envolvida a integridade do instrumento, e a sua reputação
profissional.
Para essa decisão contribuiu também a falta de cooperação
de alguns organistas locais, e especialmente a indiferença das entidades que
deveriam zelar pelo património histórico australiano, em proveito de interesses
pessoais.
A incúria da Igreja Católica em Sydney, para a qual
muitos anos trabalhou, teve também a sua quota-parte.
Tem só a lamentar o facto de não lhe ter sido dada a
oportunidade de deixar alguém que com profissionalismo, competência e
honestidade, que tivesse a capacidade de continuar com a mesma eficiência o
trabalho a que sempre se dedicou, e que sempre lhe foi reconhecido.
Completando 60 anos de trabalho honesto, dedicado e
responsável, seria tempo para descansar e dedicar-se à família.
Aditamento
Manuel da Costa chegou a Sydney no dia 9 de Fevereiro de
1980 sem a companhia da família. Esta viria a juntar-se-lhe em 2 de Julho
seguinte. A esposa, duas filhas de 17 e 12 anos, e um filho com 5 anos.
As duas filhas, formaram-se na Universidade de Sydney, em
Medicina, e em Direito. O filho, formou-se em Ciências e Informática, na
Universidade de New South Wales.
Todos casados, tendo a primeira duas meninas com 19 e 17
anos, a segunda um menino de 12 anos, mais um menino e duas meninas trigémeos,
com 10 anos. O filho que saiu da Austrália para a Inglaterra, onde ali
trabalhou durante 4 anos, e de lá para a Suíça onde se encontra há 10 anos, tem
um menino com 6 anos e uma menina de 3 anos.
Com uma longa experiência e escola
profissional, não simplesmente um habilidoso, curioso ou autodidacta, Manuel da
Costa veio a ser seleccionado pela Fundação Gulbenkian, para nele investir uma longa
e dispendiosa bolsa de estudo.
Naturalizou-se Australiano em 1996, como reconhecimento ao País que o acolheu e o estima, dando-lhe o valor que merece, ao contrário do seu próprio País de origem que apenas lhe deu um lugar que não era aquele para o qual o tinham preparado, e por fim o abandonou.
Com a situação seguida ao 25 de
Abril, que também abalou a política interna da Fundação, e ao qual não foi também
estranha uma determinada atitude de um dos Administradores, o investimento
feito com a formação do então único Organeiro português qualificado, foi
completamente desaproveitado no seu país.
Isto não teria acontecido no tempo
da Dra. Maria Madalena Azeredo Perdigão, por quem a sua lealdade, dedicação e
profissionalismo, sempre foi reconhecido e apreciado.
Naturalizou-se Australiano em 1996, como reconhecimento ao País que o acolheu e o estima, dando-lhe o valor que merece, ao contrário do seu próprio País de origem que apenas lhe deu um lugar que não era aquele para o qual o tinham preparado, e por fim o abandonou.
Anotações
O seu primeiro contacto com portugueses, por recomendação em Lisboa, foi com a Capelania Católica Portuguesa em Sydney, sendo o Capelão o Padre António Marques, que muito o ajudou na integração do sistema de vida local, e com quem conviveu nos primeiros dois anos. Este veio a ser substituído por um outro dois anos depois. Presentemente o Padre António Marques encontra-se em Alfeizeirão – Portugal.
O seu primeiro contacto com portugueses, por recomendação em Lisboa, foi com a Capelania Católica Portuguesa em Sydney, sendo o Capelão o Padre António Marques, que muito o ajudou na integração do sistema de vida local, e com quem conviveu nos primeiros dois anos. Este veio a ser substituído por um outro dois anos depois. Presentemente o Padre António Marques encontra-se em Alfeizeirão – Portugal.
Durante os primeiros 12 anos, Manuel da Costa foi
“organista” da Comunidade Portuguesa em Sydney, deixando essa função devido à
atitude de prepotência inadmissível do então e actual Capelão, que viria a
estar envolvido num caso menos claro sobre a oferta à Comunidade Católica
Portuguesa em Enmore, Sydney, de um órgão de tubos o qual
nunca foi nem viria a ser propriedade da Comunidade, tendo
esta entretanto dispendido avultados fundos para o seu restauro, sua adaptação
e instalação.
Agradecimentos
Ao organeiro australiano, Mr.
Roger H. Pogson, profissional de mérito,
construtor de vários órgãos de qualidade reconhecida, e
responsável pela grande obra de restauro do
Grande Órgão de Sydney Town Hall, Manuel da Costa
deve a sua vinda para Austrália.
A sua camaradagem como patrão e colega, que nunca lhe
faltou com o seu apoio quando trabalhou como seu empregado, e quando começou a
trabalhar por conta própria, merece todo o seu reconhecimento e consideração.
Ao seu segundo patrão, Mr. Stuart Garside, da firma “Pitcheford & Garside”,
infelizmente falecido há poucos anos, deve também o reconhecimento que ele teve
pelo seu trabalho, não só como empregado mas como colega, vindo a procurar a
sua colaboração já depois de ter deixado a sua firma.
Ao “City Organist” Mr. Robert Ampt, tem a agradecer todo o seu apoio, confiança e reconhecimento de todo o trabalho de conservação, (manutenção e afinação), do “Grand Organ”.
Ao Principal e Titular Organista da Catedral de Santa
Maria em Sydney, Mr. Peter Kneeshaw, não poderá ser esquecido e também deixar
de ser agradecido todo o seu apoio, estima e reconhecimento profissional, ao
longo de todos os trabalhos por ele recomendados e assistidos.
Em Geral, a todos os clientes que durante muitos anos mantiveram a sua confiança e lealdade na base da honestidade, dedicação e competência profissional.
Informação
Nota:
Um livro, “THE SYDNEY TOWN HALL ORGAN” da autoria de Robert Ampt, City
Organista, foi publicado em 1999, onde se fala do Organeiro Manuel da Costa,
nascido em Portugal. Publicado por “Birralee Publishing”, 11 Appian Way,
Woodford NSW 2778 Austrália
Outro livro,
“ENTRE VISTAS” da autoria de Marcial Alves, (Lisboa) Edição apoiada pelas
Comunidades Portuguesas, Fundação Oriente e outros, fala também de Manuel
Saraiva da Costa, organeiro imigrado na Austrália.
O Jornal “The
Sydney Morning Herald”, publicou a sua fotografia e comentário, (MANUEL DA
COSTA CLEANS THE TOWN HALL ORGAN WHICH HAS BEEN RESTORED, 92010/24#21 PETER RAE
– SME Sydney Morning Herald) assim como outros jornais, incluindo “O
Português na Austrália” em Sydney.
No Magazine,
Issue #46 de Fevereiro 2007 do “The Sydney Morning Herald”, outra fotografia
com comentário, em referência ao” órgão mais impressivo de
Sydney, senão do mundo”.
“The Sydney
Morning Herald” em 5 de Setembro de 2009, nova fotografia com referência à
procura de um substituto de Manuel da Costa.
Jornal O
Emigrante / Mundo Português, de 18 de Março de 2011, publica um artigo
referindo-se ao organeiro português que procura seu substituto.
Em 1 de Julho de
2010, foi apresentada pela RTP Internacional, no programa Magazine Austrália
Contacto, uma entrevista feita a Manuel da Costa e o Órgão do “Sydney Town
Hall”, com um comentário feito pelo “City Organist”. Apenas há a lamentar que
nesse programa não fosse apresentada toda a entrevista feita, e que esta não
cobrisse toda a sua carreira profissional na Austrália.
Sydney, 29 de Março de 2013
Monday, March 25, 2013
Solenidades da Semana Santa
25-3-2013
QUINTA-FEIRA SANTA, 1977 ou 78.
Estava programado e já anunciado publicamente com semanas de antecedência, um Concerto a ser realizado no Mosteiro da Batalha, com a Orquestra e Coro Gulbenkian, cujo programa se integrava nas solenidades da “Semana Santa”.
Estava programado e já anunciado publicamente com semanas de antecedência, um Concerto a ser realizado no Mosteiro da Batalha, com a Orquestra e Coro Gulbenkian, cujo programa se integrava nas solenidades da “Semana Santa”.
Na Igreja do Mosteiro teria de ser montada uma bancada, ou estrado
apropriado para a acomodação do Coro, o estrado para o Maestro, cadeiras e
estantes para a Orquestra, assim como um sistema portátil de iluminação.
Esta montagem teria de ser feita no mesmo dia do Concerto, e desmontada
logo após este ter terminado, afim de deixar lugar para as cerimónias do dia
seguinte, Sexta-feira Santa. O retorno de todo o material poderia ser feito na
semana seguinte.
Todo esse equipamento teria de ser transportado das instalações da
Fundação, e os “técnicos”, 2 ou 3 carpinteiros com os seus ajudantes, trabalhadores
da Fundação e que habitualmente faziam esse trabalho de montagem e desmontagem,
deveriam deslocar-se para esse efeito, sendo-lhes pagas ajudas de custo, refeições
e horas extraordinárias.
A
Orquestra e o Coro sairiam de Lisboa logo após o almoço, para terem um ensaio
de colocação cerca das 3 horas da tarde, e à noite o Concerto. Pelas 7 horas da
manhã, uma camioneta com dois ajudantes transportaria todo o material, assim
como as 3 caixas com Tímpanos e os Contrabaixos, que devido ao seu volume não
iam no autocarro juntamente com a Orquestra.
Na
véspera desse dia, Quarta-feira, os trabalhadores dão conhecimento ao Serviço
de Música, departamento responsável pela realização do Concerto, que decidiam não
trabalhar na Quinta-feira Santa por ser feriado, e como tal lhes assistia o
direito a dia de descanso, conferido pelo Sindicato!
Perante
tal decisão, o Concerto teria de ser cancelado à última da hora, com todas as
inconveniências por falta de tempo para dar conhecimento ao público, e para as
150 pessoas da Orquestra e Coro, para não falar de todas as despesas envolvidas
e da reputação da própria Gulbenkian!
Toda
uma situação resultante da falta de profissionalismo, apoiados ou instigados
pela prepotência ou determinação de poder dos Sindicatos Progressistas.
Entre o
dilema do cancelamento do Concerto com todas as consequências implicadas, e
tomar uma atitude que resolvesse essa crítica situação, fui junto do então
Director do Serviço, este numa situação bastante embaraçosa com o
acontecimento, e comprometi-me a viabilizar aquele concerto, tomando a
responsabilidade de organizar com a Câmara da Batalha o transporte e ajuda de
pessoal para a carga e descarga de todo o material, da Fundação para o
Mosteiro.
Com a
colaboração do pessoal camarário, uma camioneta com alguns homens, e a ajuda de
dois dos serventes já acostumados à montagem daquela bancada para o Coro, pus-me
a fazer aquilo que na Holanda tinha também aprendido: trabalhar lado a lado com
aqueles homens, sem preconceitos sociais ou profissionais, carregando ferro e
madeira, dando o exemplo e o estímulo, que resultou num sucesso, tendo o
Concerto sido realizado ao agrado do público, e sobretudo de quem trabalhou
para que tal tivesse sido possível.
Tenho
as minhas dúvidas que esta história possa fazer parte do arquivo do Serviço de
Música, ou da Fundação Calouste Gulbenkian, mas creio existir ainda quem se
possa recordar, e espero que acontecimentos desagradáveis como este, nunca
tivesse voltado ou volte a acontecer.
O então
Encarregado da Orquestra Gulbenkian até 1980, Manuel SARAIVA DA COSTA.
Manuel
da Costa
Sydney,
25 de Março de 2013
Sunday, March 24, 2013
"A FALAR E ESCREVER...' Capítulo VII
25-3-2913
CAP. V II
A PROPÓSITO DO ÓRGÃO NO GRANDE AUDITÓRIO DA
GULBENKIAN
AUTOPROMOSSÕES APÓS O DIA DO OPORTUNISTA EM 1974
Como empregado da Fundação Calouste Gulbenkian,
em Lisboa, e ainda como organeiro, embora “proibido” de exercer essa função por
decisão da “Comissão de Trabalhadores” e consentido pela Administração, como já
o terei dito, tive de assistir impávido e sereno a uma “autopromoção
profissional” de um outro também empregado, este com funções de chefia, que se
achou no direito de “usar a foice em seara alheia”, conforme o dito popular.
Devido ao movimento do elevador onde o órgão
se encontra instalado, um dos tubos da frente, em cobre, se teria desprendido
do seu lugar, tendo caído ficou ligeiramente danificado. Foi esta a versão corrente,
embora a considerasse suspeita.
Qual não foi o meu espanto, ao ver esse tubo
nas mão de dois serventes acompanhado por esse “colega”, ser levado para a
oficina de manutenção e ser ali “reparado” por outro “profissional”, que muito
convencidamente fez o seu trabalho de soldador, voltando esse tubo pelo mesmo “caminho”
a ser colocado no seu lugar!
Limitando-me às condições que me eram
impostas, tive de “ver, ouvir e calar”. Assim era o sistema e a “democracia” de
cada um ter a liberdade de fazer o que entendia, mesmo sem nada entender!
Saturday, March 9, 2013
ODISSEIA EM MACAU, 1996
MAIS UMA HISTÓRIA SOBRE A ODISSEIA EM MACAU,
1996
Da Índia, eu e minha esposa, depois de ter
deixado Goa, Damão e Bombaim, modernamente chamado Mumbai, seguimos para Macau,
no regresso a Sydney, Austrália.
O Aeroporto de Macau ainda não existia, e o
avião deixou-nos em Hong Kong, onde tencionava-mos estar um par de dias antes
de ir para Macau, o que só se fez no regresso. Porque ainda era relativamente
cedo e a luz do dia se prolongaria por mais umas horas, fomos directamente para
o cais de embarque, onde fizemos a reserva do hotel em Macau, e poucos minutos
depois tomamos o barco.
Ao desembarcar no cais de Macau, “Território
com Administração Portuguesa”, como o diziam, tivemos a primeira grande
decepção porque enquanto toda a propaganda turística estava escrita em
português, ninguém ali falava esse idioma, começando pelas autoridades de
controlo de passaportes e oficiais alfandegários, que deveriam ser
“portugueses”.
Já anteriormente, aqui comentei este caso.
Apanhamos um Táxi, as malas foram para a bagageira
e entramos pretendendo seguir para o hotel. Entreguei ao taxista o documento da
reserva feita e paga onde constava a direcção do hotel, mas o taxista apenas
falava (não sei se saberia ler) chinês e o documento estava escrito em inglês.
O homem incapaz de saber para onde nos havia de levar, à viva força queria que
saíssemos do carro com a bagagem, ao qual eu me recusei.
Depois de diversas tentativas do motorista
através de comunicação via rádio com a central dos Táxis sem ter tido sucesso,
passou-me o microfone para eu falar e tentar resolver a questão. Senti-me um
pouco mais aliviado com aquela iniciativa, e dei o nome e endereço do hotel em
inglês e português, mas incapaz de o fazer em chinês. Do outro lado, tudo que
eu conseguia entender, era que me deveriam estar a falar em chinês, pois os
sons eram semelhantes, e a situação ficou por resolver.
O pobre do taxista, por gestos, insistia que
nós o deixasse-mos para atender outros clientes chineses, mas eu já estava
decidido a não sair do Táxi a não ser à porta do hotel.
Passados uns 15 minutos naquele impasse, algo
deve ter brilhado na cabeça do taxista:
com o papel na mão, foi ter com um motorista
dum autocarro de turismo, e quando voltou, sorridente e satisfeito, leva-nos
para o hotel que ficava no dobrar da esquina, a cerca de 200 metros do cais e
ponto de partida.
Depois de acomodados, e quase 10 horas da
noite, saímos para jantar num dos muitos restaurantes cerca do hotel. Nova
dificuldade: tudo estava escrito em chinês. Nada em inglês e muito menos em
português. O que se entendia eram apenas os algarismos! Quis pedir informação a
um agente de PSP que policiava o local, que logo me respondeu antes de virar as
costas: “mim não falar português”.
Um escoteiro com os seus 12 anos de idade,
tendo na farda o emblema português e a palavra PORTUGAL, falava somente chinês.
A nossa sorte, que nos permitiu enganar o estômago, foi encontrar o McDonald’s
que já estava a fechar, e os dois últimos hambúrgueres que ali estavam
expostos, foi como o maná no deserto.
No dia seguinte encontramos um restaurante com
uma tabuleta tendo o nome do proprietário escrito em português, e o reclame que
dizia ”Serve-se arroz frito à portuguesa”. Entramos, deram-nos o menu onde
“ainda em português” e chinês, constavam os pratos que serviam, mas quando quis
fazer o pedido, as três moças que dirigiam o restaurante, nada entendiam do que
dizia-mos, nem nós conseguimos fazer-nos entender.
Valeu-nos uma jovem chinesa que estava a
jantar, que dando conta do que se passava, levantou-se da sua mesa, veio junto
de nós oferecendo a sua ajuda, bem preciosa, falando em perfeito português, o
que então nos surpreendeu.
A partir dessa ocasião, nos dias que se
seguiram passamos a comer as refeições no hotel,
Como turistas que éramos, com roupa de verão e
em calções, num dia de calor, caminhava-mos pela cidade quando ouvimos duas
senhoras muitíssimo bem vestidas, provavelmente “da fina-flor portuguesa ali
residente” a conversarem em português. Logo me aproximei, cumprimentei-as, e
para meu espanto, fui olhado com certo ar de superioridade e desdém,
perguntando-me o que eu pretendia delas. Perante tal snobismo e sumptuosidade,
pedi desculpa e seguimos o nosso caminho!
Mais tarde encontramos então outro indivíduo
que bastante alcoolizado que ia a cantar o fado, rua abaixo; Na livraria
portuguesa, ouvimos mais alguém falando a Língua de Camões, e entre eles um
sujeito já de certa idade, que proclamava ser um português exilado político do
anterior regime de Salazar, e que ali vivia há muitos anos. Pelos vistos era já
uma figura carismática de Macau, pois parecia ser conhecido por toda aquela
gente ali presente; no único Domingo que lá estivemos, fomos assistir à Missa
na Sé, em português, celebrada por padres chineses, e onde encontramos alguns portugueses
europeus, entre eles outra senhora que nos deu a conhecer um pouco sobre a vida
em Macau, sobretudo da presunção de alguns dos portugueses que mais
recentemente para lá tinham ido, e um cavalheiro que se prontificou naquela
tarde a mostrar um pouco mais daquilo que ainda não havia-mos visto.
Foi então que nessa segunda-feira seguinte, se
passou o acontecimento também aqui anteriormente comentado, de como fomos
recebidos no Centro de Informação de Turismo de Macau, pela única pessoa que
falava português, que por sorte ali tinha chegado na semana anterior. De outra
forma teríamos mais uma contrariedade pela frente.
Assim acabo de contar mais um e último
episódio da Surpreendente e Decepcionante Odisseia em Macau, terra que se dizia
Portuguesa.
Nota: O que aqui está escrito, não pretende
obedecer à “moderna ortografia brasileira”
Manuel da Costa
Sydney,
5-1-2013
Azeite da "apotheek" em 1966
NA HOLANDA HÁ 47 ANOS ATRÁS.
No jornal local que semanalmente é distribuído
aqui em Sydney gratuitamente de porta em
porta, com notícias e publicidade comercial, desde venda de casas, carros e
outras mercadorias diversas, entre elas farmacêuticas fazendo propaganda de
artigos de beleza, vitaminas, medicamentos, etc., uma Farmácia anuncia a venda
de azeite de oliveira em latas de 4 litros!
Nada de especial este anúncio de promoção, a
não ser uma Farmácia vender latas de 4 litros de azeite. Talvez para muita gente
possa já ser normal, mas para outra pode torna-se um pouco invulgar tratando-se
de uma Farmácia e não de uma mercearia ou supermercado.
ISTO VEM A PROPÓSITO DO QUE SE PASSOU COMIGO
NA HOLANDA HÁ 47 ANOS ATRÁS.
Uma pequena história sobre um acontecimento que
na altura me surpreendeu, e que nos dias de hoje é apenas banal.
Estava eu pela primeira vez fora do meu país,
lidando com um idioma para mim desconhecido e costumes diferentes. A
convivência com pessoas desconhecidas, e sobretudo, a alimentação confeccionada
diferentemente daquela a que estava habituado.
Nos primeiros tempos, o ter de comer
sanduíches com recheio de pastas e outros ingredientes a que não estava
habituado, foi para mim bastante penoso.
Logo que consegui fazer-me entender e ser entendido
pela minha hospedeira, senhora holandesa já de certa idade, convenci-a a que me
cozinhasse arroz como base das refeições.
Acontece que além das sanduíches passei a
comer arroz branco, cozido sem sal e sem qualquer paladar, quase todos os dias durante
umas semanas. Claro que acompanhado com molhos, carne, vegetais e outros “acompanhamentos”.
Decidi então pedir-lhe que me deixasse
cozinhar o arroz da maneira a que estava habituado, ou seja, com o respectivo
refogado, e que para isso teria de ter cebolas e azeite.
No dia seguinte, ela apresentou-me uma cebola e
um frasco com 100 ml de azeite puro de oliveira, mas disse-me logo que tinha
ficado muito caro, e ter tido dificuldade em o encontrar, o que só conseguiu na
Farmácia onde era cliente!
Posteriormente, e tendo a informação de outros
portugueses ali imigrados, comprei numa loja espanhola, uma garrafa de 1 litro
por menos de metade do preço que havia custado na Farmácia os 100 ml.
A partir daí, a senhora aprendeu e gostou de
cozinhar o arroz frito, só que teria de se habituar ao cheiro do estrugido, ao
qual não estava acostumada e que possivelmente iria incomodar também a
vizinhança. Mas poucos dias depois, ela e as amigas já cozinhavam o arroz frito,
concordando que na realidade era mais gostoso!
Daí em diante já me sentia mais satisfeito
quando tinha de comer batatas cosidas com arroz, feijão de lata com arroz,
vegetais com arroz e com tudo o menos convencional, mas acompanhado do arroz “à
minha maneira”.
Esta experiência por que passei, com muita
“lazeira” à mistura durante os primeiros três meses, fez-me “engordar” mais 4
quilos, mas à custa de 1,5 litros de leite com chocolate que eu bebia
diariamente.
Sydney, 14-5-2012
“MATANDO O TEMPO”
“MATANDO O TEMPO”
Desde que “precocemente com 72 anos” me
retirei do trabalho que me trouxe para a Austrália, e todos os outros de que
estava incumbido relacionado com Órgãos de Tubos, como restauro, conservação e
afinação, tarefa esta que me ocupava a maior parte do tempo da minha
existência, com uma rotina de trabalho mantida ao longo dos anos, senti um
vazio imenso que teria de preencher para que não me sentisse ocioso.
Decidi então ocupar algum tempo dedicando-me a
escrever, sem no entanto pretender ser escritor, crítico ou contador de
histórias, muito menos me considerando um erudito. Quero desta maneira manter-me
mentalmente activo, para não cair no infortúnio da insanidade.
É certo que eu podia ter continuado naquela lida,
porque me sentia e sinto ainda capaz, até para amestrar quem pudesse ter
interesse e vocação por uma arte para a qual pouca gente poderá ter aptidão de
a exercer, por abarcar conhecimentos específicos não só musicais, técnicos e
habilidade em trabalho manual, como de engenharia organeira.
Poderá dizer-se, englobando diversos ofícios,
como desenho, marcenaria (não carpintaria), serralharia, pichelaria e electrotecnia,
alem de outros relacionados com acústica.
Infelizmente uma grande parte de indivíduos
que se dizem ou se fazem passar por profissionais no trabalho com esses
instrumentos, não têm conhecimentos ou preparação, e muito menos formação que lhes
permitam uma reconhecida reputação profissional.
Muitas das vezes o desfecho do trabalho desses
“talentosos”, tem consequências desastrosas e irreparáveis na integridade dos “infelizes”
instrumentos.
Encontramo-nos numa era em que os artesãos
terão de dar lugar a esses “artistas mais sofisticados”, bastando para isso
serem portadores de papeis, certificados ou diplomas para os creditarem como
profissionais, empresários, ou outros títulos notáveis, para não falar de “artífices”
incumbidos em exibir trabalho que agrade e satisfaça aqueles seguidores da
mesma “escola”, quer sejam musicólogos, consultores ou conselheiros, que de técnica
organeira possam considerar-se “exímios”, sem de tal nada perceberem.
Então há que dar a estes a oportunidade de se ostentarem,
fazerem os seus negócios e criarem para a posteridade o seu próprio sistema
qualificativo de trabalho, onde as “receitas” possam ser superiores à
qualidade que se poderia prever e desejar!
Dando a conhecer a realidade destes factos através
destas crónicas que vou escrevendo, se assim lhe poderei chamar,
“é a maneira de como vou matando o tempo,
antes que o tempo me possa matar”.
Manuel da Costa
Sydney , 23
de Abril de 2012
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