About Me

My photo
Sydney, N.S.W., Australia
Aos 12 anos de idade comecei como aprendiz com meu pai, na construção, reparação e afinação de Harmónios. Reparação e afinação de Pianos e Órgãos de Tubos. [instrumentos musicais] Aos 16 anos trabalhava por conta própria. Com 22 anos tinha a Carteira Profissional na especialidade de Rádio e Electrónica, que me permitiu trabalhar nos acordeões e órgãos electrónicos, amplificadores de som, e acumulei ao meu trabalho nos instrumentos, a manutenção do controlo electrónico das novas máquinas instaladas na “FACAR”, em Leça da Palmeira, Matosinhos. Aos 27 anos fui para a Holanda com uma bolsa de estudo onde me aperfeiçoei na Construção, Manutenção, Afinação e Restauro dos Órgãos Antigos ou Históricos. Trabalhei como Organeiro na Gulbenkian em Lisboa, de 1970 a 1974, e como Encarregado da Orquestra Gulbenkian, de 1974 a 1980. Em 1980 emigrei para trabalhar no restauro do "Sydney Town Hall Grand Organ". Em 1990 como "Mestre Organeiro" foi-me entregue, a conservação, manutenção e afinação daquele prestigioso Órgão, no qual trabalhei 31 anos, até me aposentar em 2011. com 72 anos de idade. Ver mais no meu CURRÍCULO.

Monday, February 5, 2018

“Há males que vêm por bem”



.



COMENTANDO SOBRE EMIGRAÇÃO

O que há 4 anos escrevi, e agora actualizado em 2017 repito no meu Blog



Atribuindo-se à situação crítica que Portugal atravessa, muito se falou e se fala acerca do Governo incitar à emigração, como recurso de muitos jovens, e não só, que não encontram trabalho no seu País, e daí uma sentida frustração que lhes é imposta.

No tempo "Salazarista", o Governo tentava impedir essa emigração, que embora fosse favorável a quem emigrava, era negativo para o progresso do desenvolvimento e economia do país.

Após os Governos que sucederam ao Dia do Oportunista, em 25 de Abril de 1974, aqueles profissionais a quem pretendiam equiparar com os novos progressistas do oportunismo indiscriminado, viram-se na necessidade de, aproveitando as facilidades que lhes eram oferecidas, emigrar para outros países com condições de honestamente poderem singrar económica e socialmente, assim como garantindo o futuro de seus filhos. Digo isto por experiência própria.
 
Evidentemente, emigrar não seria fazer turismo. O prazer de conhecer novas terras e novas gentes, não seria aquilo com que se deparava. Os sacrifícios começavam logo à saída, quando se deixava o meio a que se estava acostumado, os amigos e principalmente a família.
 
Nos países de acolhimento, por muito bem recebidos que fossem, apareciam de imediato outras dificuldades, como o idioma, acomodação, alimentação, e obviamente a saudade que só o emigrante sabe do seu verdadeiro significado.

A acomodação, que não é em hotéis de 5 estrelas, é por vezes o que mais se estranha à chegada, comparando com a casa que deixamos, e à qual estava-mos acostumados.
A alimentação, se não forem os próprios a prepará-la, diferente daquela a que se está habituado, é um padecimento até que se consiga adaptar a uma nova realidade. Quem não se fizer acompanhar pela família mais próxima, então o mais mortificante ainda, é a saudade.

Emigrar ou ser Imigrante, é uma experiência que requer uma decisão enorme de coragem e vontade de vencer, quando por motivos tão diversos se é obrigado a procurar aquilo que o seu País não lhe pode, ou não lhe quer dar.

Aqueles que nunca da sua terra saíram, nunca poderão compreender o que no início é ser imigrante. Mas também para emigrar há que estar preparado para uma vida diferente, não só de muitas privações como dedicação ao trabalho, por vezes tão árduo para aqueles que na sua terra a isso não estavam habituados ou dispostos.
 
Como se pode verificar, até nos dias de hoje, aqueles que mais úteis poderiam ser ao seu país, sentem-se repelidos por não verem num futuro próximo melhores condições de vida na terra onde nasceram, se criaram e se educaram, depois de os terem enganado com uma faustosa e fictícia forma de viver, isto, nestas últimas décadas anteriores à situação actual.

Muito eu teria a contar, sobre os meus primeiros 5 anos na Holanda e os mais de 37 na Austrália, sobre o que eu passei, minha esposa e três filhos quando aqui chegaram. Hoje, graças a Deus, sem arrependimento do passo dado, me sinto feliz e realizado, assim como a famíla que me acompanhou.

É da sabedoria popular que se diz: “Há males que vêm por bem”, e muitos estarão agradecidos às circunstâncias que os incentivou a deixarem Portugal, para trabalhar e viver dignamente no estrangeiro, sem que no entanto sejam indiferentes e insensíveis ao estado em que se encontra o seu País de origem, por consequência do oportunismo torpe dos maus Governos que se dizem Democráticos, e onde continua a  reinar o oportunismo desonesto, a incompetência e corrupção.




Manuel da Costa
Sydney, 20 de Outubro de 2012


“DA FUNDAÇÃO”

                       
                                           ALGO MAIS A DAR A CONHECER.






Fui um dos que pela Fundação Calouste Gulbenkian foi beneficiado com uma Bolsa de Estudo, que iria satisfazer as suas (da Fundação) próprias necessidades, e na qual para mim abriria também a possibilidade de um futuro prometedor.
A minha história acerca deste benefício para a minha formação e especialização profissional, foi já por mim dada a conhecer, e pode ser encontrada na minha Biografia & Currículo, quer pelo meu nome ou no meu “Blog Escrever para entreter”.

Quero com isto dar a conhecer mais um episódio que terá contribuído também com a minha insatisfação e que veio a acelerar a minha saída de Portugal e da prestigiosa Instituição que durante 10 anos servi com toda a minha dedicação, lealdade, honestidade e profissionalismo, respeitando e sendo respeitado pela maioria dos meus colegas trabalhadores na mesma Fundação.
Apenas e com excepção resultante de um episódio ocorrido com um dos Administradores do Pelouro que regia o departamento a que eu pertencia, originada pela minha falta de com ele “colaborar” fornecendo ou denunciando colegas da Orquestra, com quem eu trabalhava!

A partir dessa altura, embora compreendido e apreciado pelo meu Director de Serviço, não seria mais merecedor da simpatia desse administrador, como mais tarde se veio a verificar, sem que as minhas obrigações e deveres que legitimamente me eram dados para cumprir, alguma vez estivessem em causa.

Um incidente se verificou quando eu no exercício pleno das minhas funções procurei zelar pela propriedade da Fundação, evitando o “desvio” de algumas estantes portáteis que estavam a ser usadas pela Orquestra por um grupo de instrumentistas para seu uso noutro lugar, sem disso pretenderem dar-me conhecimento.

Era frequente o desaparecimento dessas estantes, sem que o seu empréstimo fosse pedido e a sua devolução efectuada. Sempre que um pedido era feito, e eu tomado as providências necessárias para que essas estantes fossem devolvidas, os empréstimos nunca foram negados. Isto era aprovado e do conhecimento dos meus superiores.

O incidente deu-se quando eu tentava tirar das mãos de um desses instrumentistas, por sinal estrangeiro, e por ele dissimuladamente fui agredido, ao qual instintivamente reagi e o atingi na testa com a mesma estante ainda nas suas mãos, resultando uma pequena sutura de dois pontos.
Teria sido esta uma boa oportunidade para que o dito Administrador se aproveitasse para me “favorecer” com um processo disciplinar pelo acontecimento, que resultou numa suspensão de 3 dias para ambas as partes!

Tempos controversos, esses que se seguiram ao 25 de Abril! Desrespeito apoiado por uma pequena mas activa minoria de oportunistas, e consentido por quem cobardemente ou por interesse próprio não se importava de comprometer a sua dignidade.

“Fazer bem sem olhar a quem”, nem sempre é dignificante. Temos o exemplo no caso do saneamento da esposa do Dr. Azeredo Perdigão, a Dra. Maria Madalena Perdigão, então Directora do Serviço de Música, a quem se deve a criação da Orquestra, Coro e Bailado Gulbenkian, este que depois da sua saída veio a desaparecer.

Agora e no tempo presente, só falta saber o resultado sobre a venda pela actual Administração a uma entidade chinesa, da sua petrolífera Partex, fundada em 1938, investimento deixado por Gulbenkian e que deu origem à sua Benemérita Fundação, e que tendo ficado com 5%, passou a ser conhecido como o "Mister Five Per Cent".


Oxalá que uma decisão tão responsável como esta, possa ser tomada em consciência, com competência e honestidade, para que a vontade de Calouste Gulbenkian ao criar esta tão Benemérita Instituição, seja respeitada. 


Manuel M. Saraiva da Costa

Sydney, 5 de Fevereiro de 2018

Wednesday, January 31, 2018

"FRUSTRAÇÃO OU DESABAFO ?"



O MEU FINAL DE CARREIRA PROFISSIONAL, E A MINHA ÚNICA FRUSTRAÇÃO QUE NA AUSTRÁLIA SENTI


FOI O NÃO ME TER SIDO DADA A OPORTUNIDADE DE DEIXAR A PRIVILEGIADA POSIÇÃO QUE ALCANCEI, ENTREGUE A QUEM ME PUDESSE MERECER CONFIANÇA PROFISSIONAL PARA DAR CONTINUIDADE A TODO UM TRABALHO AO QUAL SEMPRE ME DEDIQUEI, COM PROFISSIONALISMO, COMPETÊNCIA E HONESTIDADE. OUTROS CONHECIMENTOS QUE POR MIM LHE DEVERIAM TER SIDO PASSADOS, SERIAM ESSENCIAIS CONDIÇÕES PARA DAR CONTINUIDADE A TODO UM TRABALHO DE CONSERVAÇÃO E ASSISTÊNCIA QUE AQUELE MAGNÍFICO E INTERNACIONALMENTE FAMOSO E APRECIADO INSTRUMENTO MERECE



      
                                

 Saí de Portugal em 1980, onde a minha profissão de único Organeiro especializado em restauro de órgãos de tubos antigos e históricos, deixara de ter o futuro que me havia sido prometido, devido à situação económica e sobretudo política após a revolução de 25 de Abril de 1974.

Vim então para Austrália, convidado por uma firma que estava a fazer um importante restauro no “Sydney Town Hall Grand Organ”, instrumento de grandes dimensões, internacionalmente conhecido e apreciado, que foi considerado o maior instalado no Hemisfério Sul, construído na Inglaterra nos anos 1886 a 1889.

Nesse instrumento trabalhei durante 10 anos por conta dessa firma, que após tempo estabelecido para sua manutenção pós-restauro, abdicou de um novo contracto. Fui então proposto e contratado para dar seguimento ao trabalho de conservação e manutenção daquele instrumento, ao qual outros organeiros australianos se absteriam de concorrer por falta de aptidão e em ter de assumir tão grande responsabilidade.

Por minha conta e à minha inteira responsabilidade, trabalhei nesse mesmo órgão por mais 21 anos, até que pedi a minha demissão, aos 72 anos de idade. Embora ainda pudesse continuar até aos 75, a minha decisão foi imperativa para salvaguardar a minha reputação, uma vez que me queriam envolver em algo menos honesto e contra a minha dignidade moral e profissional.

Na altura em que eu estava prestes a fazer os meus 65 anos de idade, tempo para a normal aposentação ou reforma aqui na Austrália, fui abordado pelo departamento da Câmara de Sydney, entidade depositária daquele instrumento, e com quem eu tinha contracto como organeiro responsável pela conservação, manutenção e afinação do referido “Grand Organ“, que pretendiam saber até quando eu estaria disposto em continuar aquele contracto, e se eu tinha em vista quem me poderia substituir.

Pedi então à Câmara que procurasse alguém com alguns conhecimentos de organaria, que comigo trabalhasse por cerca de 2 anos, a fim de estar preparado capazmente para assumir o meu lugar.
Esse alguém nunca foi encontrado, dadas as condições requeridas, e a responsabilidade envolvente em manter nas melhores condições originais e de funcionamento, que satisfizesse os mais exigentes organistas nacionais e estrangeiros.
Eu mesmo cheguei a escrever para entidades e presumíveis “organeiros” em Portugal, que estivessem dispostos a emigrar e comigo trabalhar para que pudessem ter a oportunidade de prosseguirem com aquele prestigioso trabalho. Nenhuma resposta recebi!

Entretanto fui fazendo o meu trabalho sempre na esperança de aparecer alguém pelo menos com vontade de trabalhar, honesto e dedicado, até que uma nova e infeliz situação fez com que eu por dever de consciência tomasse a decisão de me aposentar, como assim veio a acontecer, e cujos motivos adiante dou conhecimento.

                                                                           * * * * *

Nos anos de 2009 e 2010 estavam a ser feitas grandes obras de remodelação no Salão Centenário do “Town Hall”, onde se encontra em local específico e apropriado, o “Grand Organ”. Entre muitos dos trabalhos que foram efectuados, alguns atingiram inapropriadamente e negligentemente aquele sensível instrumento, sem que qualquer projecto de trabalhos que o pudesse envolver, me tivesse sido apresentado para consulta, uma vez ser eu o responsável pela integridade do instrumento que me estava confiado.

Dadas as circunstâncias e o tipo de trabalho que projectaram, considerando aquele instrumento como uma simples “arrecadação de tubos”, daí a minha imediata oposição, pois se tratava de um projecto concebido e aprovado por irresponsáveis e ignorantes, sem consciência do que faziam.
Completo desconhecimento e desprezo pela integridade do que deveria ser respeitado e preservado das nefastas consequências que daí resultariam, e que vieram a resultar.
Posso assim concluir com convicção, que estariam a ser escondidos interesses obscuros, de um oportunismo duvidoso ou desonesto.

Dessa minha reacção e tomada de posição contra tão aberrante “trabalho”, foi ocasião para ser feita uma reunião de trabalho, estando eu, o organista titular e três dos funcionários camarários responsáveis (ou não) pelo património, com a finalidade de novamente se procurar a pessoa que desse seguimento ao meu trabalho, conforme há muito eu havia pedido.
Teria de ser aberto um concurso público, e o escolhido sujeito a trabalhar comigo por um período de 2 anos, até por mim ser considerado apto para o lugar, conforme cláusula específica dada a conhecer.

Só que tudo aquilo não passou de uma farsa preparada para salvaguardar responsabilidades, que no meu entender considerava tratar-se de um evidente caso de corrupção, pois o candidato “encontrado” já havia previamente sido escolhido, e feito um contracto paralelo com o meu, sem que o meu tivesse expirado, ou eu renunciado.

O “concorrente vencedor”, nunca antes me havia inspirado confiança, quanto a falta de ética profissional, competência e até honestidade. Esta farsa uma vez consumada serviria perfeitamente para ocultar e resolver algo de duvidoso, como o encobrimento de irresponsabilidades, competências, ou algo mais, conveniente a quem aquele "Concurso Público" poderia beneficiar.

Isto teria sido a resposta às minhas ameaças de pedir a demissão, caso as obras continuassem a danificar o que era da minha responsabilidade e dever de zelar, conforme as condições do meu contracto.
Apesar de tentarem por várias vezes e maneiras manobrar a minha consciência e honestidade sem o terem conseguido, em Fevereiro de 2011, o meu pedido de demissão foi aceite, sem que a própria Presidente de Câmara com o “clã” com que estava envolvida, quisesse saber a causa de tão súbita demissão, não obstante eu lhe ter solicitado uma audição, que por ela foi recusada!


                                                                        * * * * *

< “Um Organeiro Português”, o Manuel Da Costa, é o conservador do “Grand Organ of Sydney Town Haal”, que o tem mantido nas melhores condições do seu característico e original funcionamento, para servir com toda a satisfação as exigências dos muitos organistas que o usavam para Recitais e outras funções. >

Assim era eu conhecido por quem apreciava música para órgão, por organistas e organeiros nacionais e estrangeiros que tocavam ou visitavam aquele prestigioso e famoso instrumento, reconhecido mundialmente pela sua grandiosidade e importância.



Pelo facto da minha tão inesperada demissão sem que a Câmara de Sydney desse qualquer conhecimento sobre as razões que me levaram a fazê-lo, poderia não só pôr em causa o meu nome como também a minha nacionalidade ou até comprometer o meu país de origem.

Em face dessa desonrosa possibilidade, ingenuamente entendi dar conhecimento da situação ao Cônsul Geral de Portugal em Sydney, que por sua vez remeteu para o Embaixador em Canberra. O que então escrevi, teria a finalidade de diplomaticamente fazer chegar ao conhecimento de quem responsável no governo australiano, que tratando-se de um instrumento relevante do Património Nacional, este merecesse ser protegido, e portanto respeitado o seu histórico valor.

Resultado: Completo desinteresse, e nem sequer resposta foi dada! Assim é o comportamento de uns quantos diplomatas portugueses no estrangeiro, em relação aos assuntos ou problemas dos seus compatriotas emigrados, que apenas são reconhecidos pelo envio das suas poupanças para o país que os sustenta!



Manuel M. Saraiva da Costa

Sydney, 31 de Janeiro de 2018















Wednesday, May 3, 2017

“ DIPLOMACIA PORTUGUESA, E SUAS RELAÇÕES COM OS EMIGRANTES”


                                                  

Uma crónica ou comentário a propósito de “Diplomatas Portugueses, e suas relações com os emigrantes”, conforme notícias que vão sendo dadas a conhecer.



Eu, como o único organeiro que em 1990 o Município de Sydney, Austrália, confiou para zelar pela manutenção e conservação do “Grand Organ of Sydney Town Hall”, cargo esse que desempenhei com satisfação e orgulho durante 21 anos até me demitir.


Sempre fui conhecido e apreciado, inclusivamente por muitos organeiros estrangeiros que visitavam esse instrumento, como o “organeiro português Manuel Da Costa”, ligando assim o meu nome ao meu país de origem, ou seja, Portugal.

Em 2010, fui "abordado" na tentativa de me quererem envolver num plano de Corrupção, (pois na Austrália a corrupção também existe), pela “clã” onde a própria presidente de Câmara não seria alheia. Sentia-me frustrado pela falta de apoio daqueles que me poderiam assistir contra aquele vil e desonesto plano.


Corrupção organizada, envolvendo os que da Câmara de Sydney geriam os trabalhos de remodelação do "Centennial Hall" e inconscientes alterações no espaço preparado acusticamente para acomodar um instrumento e não para armazenar tubos. Absolutamente sem noção do que poderia ser afectado e prejudicado tão prestigioso instrumento.


Sem que previamente eu como responsável por aquele instrumento tivesse sido ouvido, ou pudesse estar de acordo com o que pretendiam fazer, a minha posição foi ignorada e depois desrespeitada, pondo em risco a minha reputação profissional e pessoal, pois poderia ser acusado de cumplicidade para servir os interesses de quem se prestaria à corrupção.



Ingenuamente pensei que podendo estar em causa a ligação do meu nome à nacionalidade portuguesa, e a Portugal, dei conhecimento dessa “conspiração” a que estava a ser sujeito, no Consulado Geral de Portugal em Sydney, tendo este passado ao Embaixador de Portugal em Camberra, pedindo para que intercedessem junto dos “seus colegas” australianos, denunciando o que se estaria a passar com aquele Património Nacional, nas mãos de irresponsáveis e desonestos oportunistas dentro da Câmara de Sydney, entidade depositária daquele majestoso órgão de tubos.


Total ignorância e desinteresse, ao que a mim me poderia parecer “um acto de patriotismo”, e a frustração de ter recorrido àqueles que na “Diplomacia tão bem se interessam pelos cidadãos do país que representam". Não irei aqui classificar, esses “Diplomatas” que ignoram completamente quem a eles possam recorrer, na esperança de serem compreendidos e respeitados, em defesa do bom nome do seu país, o que neste caso poderia estar comprometido pela minha nacionalidade.


Para terminar, resta-me dizer que aos 72 anos de idade, consciente e responsável, com capacidade física e mental para continuar ainda as minhas funções, até ser encontrado quem com aptidão e honestidade me pudesse substituir, o que infelizmente assim não aconteceu. Pedi a minha demissão pelo principal motivo de salvaguardar a minha reputação que estaria em risco de ser afectada.




Os meus serviços não foram dispensados, mas o meu pedido foi concedido em Fevereiro de 2011.
Desde o dia 18 de Abril de 2011, 6 anos passados, continuo à espera de resposta do Embaixador!

Monday, May 1, 2017

“ART-E-MANHA”


A ARTE DE ENGANAR OU “ART-E-MANHA” PORTUGUESA 

Tudo que intencionalmente de falso se mostra, não é mais do que um embuste para enganar o incauto. Há sempre gente que se deixa levar pelas aparências, e facilmente é enganado.

Falta de conhecimentos, de cultura ou desinteresse por ela, permite que se deixem convencer por quem astutamente os pretende enganar.
Bem se diz em português, que anda meio mundo a enganar outro meio.
Esta fotografia, entre muitas outras coisas, é mais uma prova dessas intenções de fazer crer que o fictício é real.  
 
É incrível, mas já me disseram que este “órgão de tubos” foi construído em Portugal por um famoso “Mestre Organeiro Português”. Mais ainda, que o som deste “inconfundível instrumento”, tinha características únicas: o Silêncio!
 
No tempo em que o dinheiro foi “barato e a fundo perdido”, e se construiu um mamarracho onde este instrumento inédito se encontra, teria sido ocasião de ali colocar um Órgão de tubos digno de substituir aquele que do Histórico Palácio de Cristal foi destruído para dar lugar ao outro mamarracho que ali se encontra.
Em nome da “Arte e do Desporto” se destrói e constrói, tudo o que for conveniente para certo tipo de "negócio".
Uma verdadeira vergonha que tendo sido construída uma Casa da Música, que mais serviu para “engordar” alguns, se tenham valido de uma “Art-e-manha” como esta.

 
Peço desculpa aos apreciadores deste tipo de “Arte-Concreto” ou "Arte-Betão", por não partilhar dos mesmos gostos. 

 

Manuel M. Saraiva da Costa
 
 
Sydney, 1 de Maio de 2012


Monday, April 24, 2017

"Não Suba o Sapateiro Além da Chinela"


 


Comentário a uma notícia a circular em alguns jornais, sobre os órgãos da Sé do Porto.

http://www.dn.pt/artes/interior/orgaos-da-se-do-porto-voltam-a-soar-apos-restauro-5733422.html



Não é de ânimo leve que faço este comentário, mas necessário para que se saiba.

Quem se julga ser Dinarte Machado, para opinar ou criticar trabalhos de Restauro, executado por uma conceituada firma de renome internacional, quando ele não passa dum presunçoso "self-made" e suposto organeiro formado à lá minuta?

Um curioso habilidoso, autodidacta como ele mesmo se considera, que tentou aprender a ser organeiro, com quem sem habilitações se terá formado também em poucos meses! Eles o dizem, sem que tivessem qualquer conhecimentos dessa matéria.

Um simples convencido que procura convencer quem não sabe o que é um Restauro de um órgão de tubos. Não é propagando com (para mim,) duvidosas referências, e alardeando ter sido medalhado por quem é ignorante na arte de Organaria e sobretudo de Restauro! Quem o poderá referenciar e apoiar na arte de Restauro, serão aqueles que mesmo não sendo farinha do mesmo saco, também não têm capacidade para diferençar uma reparação, bem ou mal feita, de um genuíno Restauro.

Não é organeiro aquele que sem princípios nessa arte, apenas pelo facto de poder ter sido um servidor de qualquer competente, responsável e acreditado (ou não) Organeiro, por curtos períodos de tempo.
Não é organeiro pelo simples facto de "aprender pelos livros" ou visitar colossais instrumentos ou fábricas dos mesmos. Para ser Organeiro, e para aqui não me repetir, já o dei a conhecer anteriormente, e pode ser encontrado no meu"Blog".

Na Arte de Restauro, além de se respeitar a sua originalidade, não alterando o que de original possa ser encontrado, pode-se no entanto admitir pequenas excepções para assegurar não só o funcionamento futuro com o mínimo de problemas, como o de evitar tanto quanto possível intervenções por quem (e este é o caso,) não está habilitado para desse instrumento cuidar.

Tenho por diversas vezes escrito sobre este assunto, onde me referi também aos Órgãos Históricos da Sé do Porto, que em 1970 foram restaurados na fábrica Flentrop na Holanda, tendo eu neles trabalhado. Sou portanto conhecedor da embustice que agora este "exímio restaurador", quer com a sua pretensiosa autoridade, fazer crer o que possa estar errado. Tenho sérias dúvidas, sobre o que agora possa ter sido adulterado nestes instrumentos.
Quando se é livre de inconscientemente fazer "o que se sabe e o que se quer", sem controlo de creditados consultores, técnicos em Organaria e Restauro, todo o imprevisto, por vezes já sem remédio, pode acontecer.

Não basta apontar como seguidores daquele trabalho, pessoas ou entidades sem credibilidade técnica, para fazer crer na capacidade do restaurador, como foram nomeados o Cabido da Sé do Porto, Direcção Regional de Cultura do Norte e cónego Ferreira dos Santos, este organista e compositor, nada tendo a ver com habilitações técnicas na arte de Organaria.


Para terminar, e por agora, como se pode compreender que Dinarte Machado, "Mestre organeiro" com tão excelentes referências e reconhecido pelo próprio Presidente da República, publicamente se queixe que as suas habilitações profissionais não são reconhecidas pelo Estado Português, impedindo-o de concorrer a certos trabalhos, assim como de passar "Diplomas" aos seus aprendizes?

Manuel M. Saraiva da Costa, Sydney 23 de Março de 2016

Organeiro aposentado. Sua Biografia & Currículo encontra-se na Internet ou Meloteca.

Sunday, April 23, 2017

"Charlatanismo"

<Órgãos da Sé do Porto voltam a soar após restauro> II

<http://www.dn.pt/artes/interior/orgaos-da-se-do-porto-voltam-a-soar-apos-restauro-5733422.html>


Eu trabalhava com meu pai, numa oficina de reparação e afinação de pianos e órgãos, na Rua dos Caldeireiros 169, Porto, e de lá ia a pé para as aulas no Conservatório de Música.
No caminho passava pela Praça da Cordoaria onde era habitual os propagandistas ou charlatães, venderem a "banha da cobra", assim como outros produtos. Procuravam impressionar e chamar à atenção do público, exibindo cobras e macacos.

Quem esses produtos compravam, por estarem convencidos pelo vendedor da "sua eficiência e qualidade", acabavam depois por se sentirem ludibriados.

Isto serve como preambulo ao que é dito sobre os "restauros" dos órgãos históricos da Sé do Porto, pelo seu pretenso restaurador, e ao qual eu peço que com dignidade e honestidade, sendo ele "um profissional como o diz", clarifique melhor, o que quer dizer nos parágrafos que abaixo indico. Já que com "palavras e bolos, se enganam os tolos".

Tenho idoneidade como pessoa e como profissional, e sou bem conhecedor desses órgãos, para no interesse da integridade desses instrumentos, exigir ser esclarecido sobre qualquer modificações, substituições e alterações feitas depois de 1970, sofridas por quem se julga com competência para as fazer ou ter feito.

http://manuelsaraivadacosta.blogspot.com.au/search?updated-max=2014-12-09T23:38:00-08:00&max-results=7&start=8&by-date=false

É muito fácil enganar quem nada entende da arte de organaria e restauro, quer por quem pretende ser "artista" como por quem o apoia por conveniência, mas não a qualquer digno profissional conhecedor e habilitado na arte de organaria e restauro.

São os seguintes 7 parágrafos" da autoria do "restaurador", que devem ser devidamente esclarecidos a fim de serem compreendidos não só por quem é desconhecedor deste assunto como por quem nisso é entendido:


  • "A harmonização está a ter em conta essas duas identidades. Mas apesar de as respeitar, é preciso perceber que eles vão tocar juntos. E para que toquem juntos é preciso fazer uma harmonização que dá ao órgão da epístola um som mais grave, complementando o que o órgão do evangelho não tem", descreveu Dinarte Machado, organeiro há mais de três décadas.
  • Dinarte Machado contou à Lusa que o trabalho da sua equipa*) surge depois de duas outras grandes intervenções, uma levada a cabo no século XIX por um organeiro da zona do Porto que assinava com o nome "Santos" e outra feita nos anos 1970 pela empresa holandesa Flentrop.
  • "O Santos fez uma intervenção no órgão da epístola e aumentou o número de registos graves de base. Foi muito inteligente da parte dele. Não desmistifica em nada o conjunto", apontou Dinarte Machado que já sobre a operação levada a cabo pela empresa holandesa é menos otimista, considerando que a Flentrop "terá tentado manter as caraterísticas dos órgãos mas aplicou materiais que hoje não são concebíveis".
  • "O trabalho dessa firma foi importante por pôr os instrumentos a tocar. Nos anos 1970 encontraram o órgão do evangelho totalmente degradado. Do ponto de vista de filosofia de conservação e restauro não foi uma catástrofe mas foi muito próximo", analisou.

  • O mestre organeiro, que foi condecorado pelo Presidente da República e ganhou o prémio internacional Europa Nostra em 2010, teve agora a missão de recuperar a qualidade do vento, corrigindo a posição dos foles, peças que descreve como "os pulmões dos órgãos".

  • "Se calhar há quem ache que qualquer um pode fazer isto desde que saiba apertar um parafuso. Não é bem assim", alertou, acrescentando que conseguiu substituir os "materiais menos nobres" encontrados pelas corrediças originais e históricas que "por acaso estavam conscientemente guardadas".

  • Soma-se a correção de aspetos mecânicos e, do lado da epístola, a retirada de um forro de madeira de pinho considerado "prejudicial em termos acústicos".



Tenho sérias dúvidas que os esclarecimentos possam de forma honesta e de modo inequívoco, serem dados a conhecer sobre o que foi dito e ter sido feito, por quem obrigatoriamente possa ser responsável.


*) Seria de reconhecer que nesta equipa, possa haver alguém mais habilitado e competente em organaria, do que o intitulado e presunçoso "restaurador".

Manuel da Costa


Sydney 23 de Abril de 2017



<http://www.dn.pt/artes/interior/orgaos-da-se-do-porto-voltam-a-soar-apos-restauro-5733422.html>