About Me

My photo
Sydney, N.S.W., Australia
Aos 12 anos de idade comecei como aprendiz com meu pai, na construção, reparação e afinação de Harmónios. Reparação e afinação de Pianos e Órgãos de Tubos. [instrumentos musicais] Aos 16 anos trabalhava por conta própria. Com 22 anos tinha a Carteira Profissional na especialidade de Rádio e Electrónica, que me permitiu trabalhar nos acordeões e órgãos electrónicos, amplificadores de som, e acumulei ao meu trabalho nos instrumentos, a manutenção do controlo electrónico das novas máquinas instaladas na “FACAR”, em Leça da Palmeira, Matosinhos. Aos 27 anos fui para a Holanda com uma bolsa de estudo onde me aperfeiçoei na Construção, Manutenção, Afinação e Restauro dos Órgãos Antigos ou Históricos. Trabalhei como Organeiro na Gulbenkian em Lisboa, de 1970 a 1974, e como Encarregado da Orquestra Gulbenkian, de 1974 a 1980. Em 1980 emigrei para trabalhar no restauro do "Sydney Town Hall Grand Organ". Em 1990 como "Mestre Organeiro" foi-me entregue, a conservação, manutenção e afinação daquele prestigioso Órgão, no qual trabalhei 31 anos, até me aposentar em 2011. com 72 anos de idade. Ver mais no meu CURRÍCULO.

Sunday, November 13, 2016

DURANTE AS MINHAS FÉRIAS DE 2016 NA EUROPA, UMA VEZ EM PORTUGAL E NO ALGARVE, NA SÉ DE FARO TIVE DE VER PARA CRER, COMO S. TOMÉ !

Há mais de duas dezenas de anos que ali não ia. Desta vez estive alojado em Vila Real de Santo António, e como não podia deixar de ser...

DO FACEBOOK, E QUE POR MIM NÃO FOI POSTADO

Hoje de visita à Catedral de Faro para ver o lindissimo Orgao onde eu tambem colaborei no restauro.  (diz o seu autor.)
Texto e fotografia de quem postou, e que eu por razões óbvias não o identifico.
                                               

Quando me chegou este post, não deixei de ao seu autor comentar:

<...Gostaria de conhecer pormenores desse recente “restauro”, tendo esse instrumento sido devidamente restaurado em 1974, na Holanda, pela conceituada firma Flentrop, e a minha colaboração em Faro e Lisboa, ao serviço da Fundação C. Gulbenkian.>


A resposta, ou respostas a este comentário e outros que se seguiram, poderão ser apreciados no Facebook, o que não será difícil de encontrar.

É sobre este "restauro" que escrevo para dar a conhecer o meu parecer sobre o que tenho criticado em defesa da autenticidade dos "Ïndefesos Órgãos de Tubos, Antigos e Históricos" que fazem parte do nosso Património Nacional.

**********************************


Visita feita por mim ao Órgão da Sé de Faro, nas as minhas férias de 2016 a Portugal, durante a minha estadia em Vila Real de Santo António. Há mais de 20 anos que não teria ido ao Algarve.


Domingo, 11 de Setembro pela manhã, desloquei-me a Faro com intenção de assistir à Missa e encontrar-me com o organista que me acompanhasse junto do órgão que foi a minha última comparticipação no trabalho de restauro em Portugal, com comparticipação da Fundação C. Gulbenkian.

Cheguei à igreja da Sé, cerca das 10 horas da manhã, e para meu espanto e falta de compreensão, estava fechada! Só abriria as portas pouco antes do meio-dia, para a celebração dominical!

Turistas estrangeiros e portugueses aos magotes, que ali se dirigiam com a finalidade de visitar a Catedral, tiveram de dar "meia volta". Assim se mostra aos turistas o interesse de como são recebidos.

Com paciência e sobretudo interesse, ali aguardei até que a porta se abrisse, pouco antes do meio-dia, e à chegada do Pároco que ali iria celebrar. Apresentei-me, sendo logo atendido no meu pedido, e por ele acompanhado junto do órgão, mas o tempo que pude dispor, antes da missa começar, não foi suficiente para fazer uma ideia total do que ali teria sido feito, com o nome de "restauro".

Depois de algumas fotografias, e ter verificado "o arranjo cosmético" com a intensão de dar justificação ao chamado "restauro", que mais não terá sido que a substituição e o criminoso desaparecimento dos foles originais, que teria sido a pretexto de insuficiência de vento, no parecer do seu inapto autor, para dar lugar a dois novos foles que em nada condizem com a antiguidade do instrumento.

Uma aberração injustificável e condenável, mas para quem de Restauro apenas entende ser uma das formas menos honesta de fazer dinheiro, sem respeitar a ética profissional.

Conforme li algures, a afinação terá sido também alterada a contento de alguém possivelmente tão pretensioso e entendido como ele. Por falta de tempo e ocasião, não o pude comprovar, até por a Sé não ter organista efectivo (o que pelo Pároco me foi dito), me pudesse acompanhar para que não fosse eu o único a certificar o que irracionalmente poderia ter sido feito!

Procurei saber o que teria acontecido aos foles originais, que não sendo reconstruídos por necessidade, foram removidos, não se sabendo do seu paradeiro. Disse-me o actual Pároco, não ter qualquer conhecimento sobre o que se terá passado, por ter sido no tempo do seu antecessor.
Inconsciência e falta de competência, ou simplesmente desinteresse pela integridade e comprometendo a autenticidade daquele instrumento, entregue em mãos de "negociantes" que demonstraram completo desprezo pela sua originalidade como teria sido no passado.

Em 1973, esse órgão foi restaurado na Holanda, por uma conceituada e acreditada firma, sobre controlo dum certificado Consultante holandês, da confiança da Gulbenkian. Os foles foram por mim restaurados dentro da sua originalidade, conforme publicamente dei a conhecer. Muito
possivelmente até houvesse necessidade de serem reparados, substituindo peles que por ventura pudessem encontrar-se em mau estado, atendendo a desgaste pelo uso e pelo tempo, o que é de estranhar em apenas menos de 40 anos!

Completamente inadmissível e condenável qualquer alteração ou remodelação sob qualquer pretexto, e para mais na sua totalidade, do sistema de vento há muitos anos instalado naquele instrumento e que fazia parte da sua originalidade!
Uma total falta de ética profissional, demonstração de incompetência e falta de respeito por aqueles considerados e reconhecidos pelo trabalho que envolve a verdadeira Arte de Restauro, por quem com artifícios procura ser aquilo que não é.


Sydney, 14 de Novembro de 2016.

Friday, September 16, 2016


UMA PEQUENA CRÓNICA ACERCA DO TRÂNSITO AUTOMÓVEL, OS POLÍCIAS SINALEIROS E OS PARQUES DE ESTACIONAMENTO EM PORTUGAL

Automóveis, muitos de luxo e alta cilindrada, com gasolina ou gasóleo a preço “proibitivo” no dizer de alguns, circulam pagando impostos, seguros, multas e portagens, chegam a causar engarrafamentos de tal ordem, difíceis de compreender, a não ser por um uso abusivo daqueles que pretendem dizer ou afirmar que a vida em Portugal se encontra num caos.

Os Transportes Públicos a preços e frequências não convidativos, contribuem grandemente para esta situação.

Por outro lado, a ausência dos saudosos Polícias Sinaleiros, que em muito poderiam atenuar e até eliminar tantos dos problemas de trânsito, foram substituídos por polícias dedicados à colecta de multas, muitas delas bem merecidas, e outras para os sustentar e àqueles que os empregam, que como parasitas vivem à custa dos que honestamente trabalham.

As Câmaras em vez de prover em número suficiente e em locais convenientes, Parques de Estacionamento a preços convidativos, preferem entregar à exploração de privados que contribuam para a possível corrupção de alguns dos seus “presidentes e associados”, na facilidade da construção desses Parques, e superlotando os espaços disponíveis para a construção de blocos residenciais, cedidos a empresas construtoras associadas ao “esquema”.

Mas criticar para quê?

Na realidade é a “vontade” de Um Povo que tudo consente e se sente comodamente alheio a toda a sorte de problemas sociais.
Uns vivendo na sua ignorância e outros esperando um provável futuro embora incerto, de “oportunidades”.

É assim que Portugal se torna incapaz de progredir, não seguindo aqueles países onde melhor se pode viver!

Friday, December 4, 2015



PORTO, E O SEU SAUDOSO PALÁCIO DE CRISTAL








UMA HISTÓRIA INTERESSANTE SOBRE O FAMOSO E DESAPARECIDO ÓRGÃO DE TUBOS, E O MEU COMENTÁRIO.





História que passo a partilhar:

O saudoso maestro Manuel Ivo Cruz escreve, em O Tripeiro Série VII, Ano XIX, Nº. 9, o seguinte:

“Com 2750 tubos, o órgão do Palácio de Cristal era um instrumento imponente, na linha dos grandes órgãos românticos, ou sinfónicos, cuja invenção se deve ao organeiro francês Aristide Cavaillé-Coll (1811/1899) … Construído em 1862 em Londres por J. William Wolber e vendido para o Porto por sete contos de reis… Para acompanhar a montagem e propiciar a instrução necessária à sua eficiente utilização, deslocou-se ao Porto o já então célebre organista e compositor francês Charles-Marie Widor (Lion 1844 – Paris 1937), personalidade marcante da música europeia, embora hoje bastante esquecido.”
Na sessão inaugural deste órgão, Widor tocou uma peça musical por si composta propositadamente para esse concerto. Esta peça foi de novo executada em 1995 no concerto de inauguração do órgão romântico da Igreja da Lapa.
"Quando, em 1951 este órgão foi destruído, constou na cidade que os tubos teriam sido levados e “alguém” se teria aproveitado da venda dos metais. Porém a “história” já vem de anos atrás. Em Maio de 1935 a CMP pretendeu mandar reparar o órgão de tubos do Palácio de Cristal.

Em 16 de Julho foram abertas 6 propostas de casas portuguesas e estrangeiras, mas a obra não foi adjudicada. Em 1947, a pedido da CMP veio ao Porto o Engº. José Ramos Sampaio, sócio da firma João Sampaio, Lda., organeiros de Lisboa, para examinar o estado do referido órgão. Descreve a sua visita ao palácio da seguinte forma: 

“Fomos ao Palácio. Não nos queriam deixar entrar, sendo necessário para isso mostrar a carta em que a câmara me participava a aceitação das condições para eu fazer a dita vistoria. Logo atrás de mim veio um outro guarda que disse depois que tinha ouvido a conversa e vinha para auxiliar em qualquer coisa. 
Depois de pôr uma escada de madeira, restos de um escadote improvisado e termos subido para o estrado do órgão, despimos os casacos e vestimos os fatos de macaco (eu e o Mário). Entrámos lá dentro levando eu a pasta com os apontamentos. Fiquei espantado quando vi que tinham desaparecido todos os tubos. 
O Mário só encontrou um minúsculo, fino como uma metade de um lápis e que estava caído e quase não se via, por isso escapou. Não havia mais. Nos secretos todos (excepto nos dos Pedais) não havia um tubo de madeira no lugar. Tinham sido todos tirados do lugar para facilitar o roubo e estavam amontoados sobre os secretos. 
Nos secretos laterais da pedaleira tinham ficado no lugar os tubos grandes de madeira e os funis (só os funis) dos tubos de palheta (os pés de chumbo com as palhetas desapareceram). No secreto surdina (todo dentro de uma caixa expressiva) tinham tirado várias réguas expressivas para entrarem lá dentro e fazer a mesma devastação. 
Era horrível o aspecto daquilo. Restavam os tubos da fachada, receavam talvez que se vise a falta… o homem disse-me que aquilo estaria assim há muitos anos! Respondi que não pois eu mesmo lá estivera havia 12 anos e não faltavam senão poucos tubos. No outro dia visitei o director dos serviços culturais da câmara”
 Em O Tripeiro Série VI, Ano XII. 

COMENTÁRIO QUE EM 22 DE SETEMBRO DE 2015 FIZ NO FACEBOOK:

SOBRE O FAMOSO ÓRGÃO DESAPARECIDO:



Porque a minha memória começa a falhar, ou porque só agora tomei conhecimento, devido à minha ausência de Portugal há mais de 35 anos.
Conheci e trabalhei com o maestro, Manuel Ivo Crus quando na Orquestra Gulbenkian, na década de 70. Sendo apenas 3 anos mais velho do que eu, lamento a sua morte, e à família, embora tardiamente, apresento as minhas condolências.

Interessantíssima história sobre este desprotegido instrumento, que naquele tempo parece ter estado ao “cuidado” da Câmara do Porto. Ontem como Hoje, a incompetência e a “roubalheira” são assuntos que deveriam ser debatidos e dados a conhecer publicamente, para que se desperte o interesse pela Defesa do Património.

Em tempos passados, era um Departamento dos então “Monumentos Nacionais”, responsável pela conservação destes instrumentos, cuja incompetência era demonstrada. Presentemente, e de nome mudado, não se nota diferença para melhor.

Ouvi de meu pai, quando eu ainda criança, alguns comentários sobre este magnífico órgão de tubos, que no tempo da segunda guerra terá sido dizimado quando “alguém” descobriu que os seus tubos de uma liga de chumbo e estanho, eram bem pagos pelos sucateiros.
Mais tarde, quando da criminosa demolição do Palácio, um dos “cooperadores” se suicidou, mas muitos outros, creio que nunca foram julgados.

Sydney 22 de Setembro de 2015