EM REFERÊNCIA AOS QUE SE DIZEM SER CONSULTORES OU CONSULTANTES.
Uma pergunta que
tem sido feita ao Secretariado da Cultura, sem que no entanto haja sido
respondida, mas muito convenientemente ignorada:
Existirá em Portugal Consultores ou Consultantes
credíveis que controlem o restauro de Órgãos Históricos?
Uma dúvida que persiste, enquanto as suas competências
não forem reconhecidas, que possam comprovar
essa actividade.
Entretanto, cada qual a seu belo prazer, continuará
a fazer o que quer, pode e sabe, e “a mais não é obrigado”.
Um Consultor organeiro, não é mais que um
especialista com conhecimentos práticos e não simplesmente teóricos, com
competência para reconhecer o que é apropriado, na técnica da reparação e
sobretudo na arte da restauração em Organaria.
Saber distinguir o adulterado do genuíno, e se está
bem feito ou apropriado, daquilo que é mal feito ou inapropriado. Não me quero
referir ao aspecto visual da “obra” na sua apresentação, mas nos seus
pormenores que nem sempre poderão estar à vista.
Não considero um Consultor com aptidão para
supervisor de qualquer trabalho de restauro, um qualquer organista, musicólogo
ou historiador, que por muita teoria que possa ter acerca da arte de restauro,
carece de conhecimentos práticos dessa técnica de restauro. Quando muito se
poderá considerar, apenas ideias sobre possíveis originais ou hipotéticas
especificações de registos sonoros.
Na arte de organaria, pois é a esta arte que me
quero referir, como em todas as artes ou profissões, existem excelentes e
competentes técnicos, profissionais que não se baseiam em teorias pelo que
lêem, ou nos tempos de hoje, procuram encontrar e aprender através da Internet.
Não se formam Consultores e organeiros em meia
dúzia de anos. São necessários vários anos de trabalho profissional para dar
provas de capacidade técnica, e estas serem reconhecidas por quem com mérito as
possa avaliar, além da escola que à arte de restauro o possa ter introduzido.
Não é qualquer autodidacta, organista ou musicólogo,
que por muita teoria que possua, se possa considerar Consultor organeiro ou em
organaria, que lhe dá o direito ou aptidão de usar esse título, como acontece
com alguns auto intitulados de “mestres organeiros”.
Há que ter disto consciência e decoro, já que em
caso contrário não passam de pretensos profissionais ou embusteiros, que se
propõem enganar quem neles confiam, não passando de charlatães, que empregam os
seus “conhecimentos” e a sua impostura para se fazerem passar por pessoas
qualificadas e acreditadas.
Infelizmente em Portugal, tenho encontrado através
de notícias sobre restauros ou pseudo-restauros em órgãos antigos, alguns
“Consultores”, sem que se conheça a sua confirmada aptidão. Isto é, no seu
currículo, onde dê a conhecer as suas habilitações, onde e com quem terão
trabalhado e adquirido tal prática e conhecimentos.
Só assim se poderá reconhecer esse título, pois
como acima foi dito, após várias tentativas feitas junto do Secretariado da
Cultura a este respeito, nada ainda foi esclarecido.
É de todos conhecido o oportunismo e até a
corrupção que no nosso país se tem desenvolvido, por questões de interesses,
ignorância e imbecilidade daqueles que não se preocupam com a sua própria
consciência.
Nós que honestamente lidamos com esses
instrumentos, organeiros, organistas e musicólogos, responsáveis e de boa-fé,
incluindo aqueles apreciadores de órgãos e da sua música, sejamos defensores
deste nosso Património Histórico e Cultural, já que parece não haver uma
entidade governamental, que se interesse
ou seja capaz de o fazer.
Sydney, 31 de Março de 2014